O quarto relatório anual da Comissão Europeia sobre a transformação digital da Europa revela progressos significativos na conectividade e na adoção de inteligência artificial, mas aponta falhas relevantes em áreas estratégicas como a produção de semicondutores, o talento tecnológico e a cibersegurança — onde o continente continua abaixo dos objetivos fixados para 2030.
O que correu bem
Os dados são positivos na infraestrutura de conectividade: 96,8% dos lares europeus têm agora cobertura 5G básica, e a adoção de inteligência artificial pelas empresas cresceu 48% em 2025. Estes são dois dos indicadores onde a Europa mais se aproximou das metas da Década Digital.
Onde a Europa fica aquém
O relatório é mais crítico noutras dimensões. A Europa detém apenas 9% da produção global de semicondutores avançados — muito abaixo do objetivo de 20% para 2030. O défice de talento tecnológico agrava-se, com insuficiência de especialistas em cibersegurança em particular. E o nível geral de maturidade em cibersegurança das organizações europeias permanece heterogéneo, com muitas entidades — sobretudo PME — ainda sem práticas básicas consolidadas.
Porque é que isto importa para Portugal
Portugal enfrenta desafios semelhantes aos da média europeia, com escassez de profissionais de cibersegurança e uma base industrial tecnológica ainda em desenvolvimento. A implementação do novo Regime Jurídico da Cibersegurança (Decreto-Lei n.º 125/2025, transposição da NIS2) e a plataforma MyCiber são passos na direção certa, mas o relatório europeu sublinha que a corrida às metas de 2030 exige aceleração em múltiplas frentes simultaneamente.
Esta informação tem carácter noticioso e baseia-se no relatório anual da Comissão Europeia sobre a transformação digital, publicado em junho de 2026.
