Erro 0xC000000D no RDP: a proteção do Windows que está a trancar os seus utilizadores

Erro 0xC000000D no RDP: a proteção do Windows que está a trancar os seus utilizadores

A Microsoft confirmou um novo problema conhecido no Windows 11: há utilizadores sem privilégios de administrador que deixaram de conseguir ligar-se por Ambiente de Trabalho Remoto (RDP) a computadores com a funcionalidade de segurança Administrator protection ativa. A falha surge depois de instaladas atualizações recentes. Segundo a Microsoft, o problema aparece após a atualização de pré-visualização não relacionada com segurança de setembro de 2026 (KB5124010) ou atualizações posteriores, e impede utilizadores sem privilégios de administrador de estabelecer ligações a dispositivos remotos com essa proteção ativa. O problema ganha peso porque, desde a atualização de segurança de outubro, esta proteção passou a vir ativa por omissão nas linhas de base de segurança que muitas organizações aplicam.

Resposta rápida: Depois da KB5124010 (setembro de 2026) ou de atualizações posteriores, as ligações RDP de utilizadores sem privilégios de administrador a anfitriões Windows 11 com Administrator protection ativa podem falhar com o erro 0xC000000D. Ainda não há correção definitiva. Como solução temporária, a Microsoft recomenda desativar a proteção nos dispositivos afetados, repondo a política User Account Control: Configure type of Admin Approval Mode através do Intune ou da Política de Grupo. Não desinstale as atualizações de segurança de outubro.

O que está a falhar e como se manifesta

Na página de problemas conhecidos do Windows release health, a Microsoft descreve o sintoma assim: as tentativas de ligação podem falhar com o erro 0xC000000D, acompanhado da mensagem “The token that was passed to the function is invalid.” Por outras palavras, o sistema rejeita o token de autenticação durante o início da sessão remota. O utilizador vê apenas uma mensagem pouco clara, e as equipas de suporte podem perder tempo à procura de falhas de rede ou de perfis corrompidos.

O impacto concentra-se em ambientes empresariais. A empresa explica que o problema afeta sobretudo dispositivos remotos geridos por organizações, usados como anfitriões de Ambiente de Trabalho Remoto com a Administrator protection ativa, seja qual for o método usado para a ativar. Os administradores locais não estão abrangidos pela falha. Os mais afetados são os utilizadores comuns, que muitas vezes representam a maioria dos acessos remotos numa organização.

O problema foi registado a 13 de outubro, dia do Patch Tuesday. Na página do Windows 11 26H2, a Microsoft classifica-o como “Mitigated” e indica que a entrada foi aberta a 13 de outubro de 2026, às 09:43 (hora do Pacífico). Esta classificação quer dizer que existe uma solução temporária, mas ainda não uma correção definitiva.

Versões e atualizações envolvidas

Segundo o BleepingComputer, o problema afeta sistemas com Windows 11 24H2, 25H2, 26H1 e 26H2. As páginas oficiais de cada versão identificam a atualização que está na origem da falha:

VersãoAtualização de origemBuildEstado (13/10/2026)
Windows 11 26H2KB5124010 (22/09/2026)26300.9550Mitigado
Windows 11 26H1KB5124006 (22/09/2026)28000.3086Mitigado
Windows 11 24H2 / 25H2KB5124010 ou posteriores—Mitigado

Os dados do 26H1 constam da respetiva página de problemas conhecidos, que associa a falha ao build 28000.3086 (KB5124006), de 22 de setembro de 2026, com estado “Mitigated”. Como a falha também aparece em “atualizações posteriores”, as atualizações cumulativas de segurança de outubro herdam o problema.

Porque é que o problema surge agora: as linhas de base de segurança

A Administrator protection é uma das mudanças mais profundas no modelo de privilégios do Windows desde o Controlo de Conta de Utilizador (UAC). Segundo a Microsoft, foi pensada para que os utilizadores trabalhem com o mínimo de privilégios necessário e só obtenham direitos de administrador quando é preciso e com aprovação explícita, num modelo de elevação “just-in-time”. A identidade do utilizador é confirmada através da autenticação integrada do Windows Hello.

Até há pouco tempo, a funcionalidade era opcional. Isso mudou com a atualização de outubro. Numa mensagem do centro de mensagens de administração (MC1506291), a Microsoft avisou que, nas organizações que usam as linhas de base de segurança do Windows, a Administrator protection fica ativa por omissão com a atualização de segurança de outubro de 2026, nas versões 26H2, 25H2 e 24H2. A nota de problema conhecido diz o mesmo: a funcionalidade está ativa por omissão nas linhas de base publicadas através do Microsoft Security Compliance Toolkit, salvo se a organização tiver configurado a política de outra forma.

Assim, uma organização que siga as boas práticas e aplique as linhas de base mais recentes, sem testes prévios, pode ver o acesso remoto dos seus utilizadores comuns deixar de funcionar de um dia para o outro.

Mitigação: o que os administradores de sistemas devem fazer

Enquanto não há correção definitiva, a documentação técnica da funcionalidade indica a solução: desativar a Administrator protection nos dispositivos afetados, repondo a política “User Account Control Type of Admin Approval Mode” através do Intune ou da Política de Grupo. Na prática, o processo é o seguinte:

  • Identificar os anfitriões RDP onde se ligam utilizadores sem privilégios de administrador e confirmar se receberam a KB5124010 (ou a KB5124006, no 26H1) ou atualizações posteriores.
  • Verificar o valor da política User Account Control: Configure type of Admin Approval Mode. Nas linhas de base de outubro, aparece configurada para ativar a Administrator protection.
  • Repor a política só nesses anfitriões, de preferência através de um grupo de exclusão no Intune ou de uma GPO dedicada, para não desativar a proteção em todo o parque informático.
  • Reiniciar os dispositivos para aplicar a alteração (a documentação da Microsoft indica que é necessário reiniciar para as alterações a esta funcionalidade terem efeito) e voltar a testar a ligação com uma conta sem privilégios.
  • Registar a exceção e acompanhar o Windows release health, para reativar a proteção logo que exista correção.

Remover as atualizações de outubro não é uma boa ideia, porque deixaria os sistemas sem as correções de segurança desse mês. A solução indicada pela Microsoft também tem um custo: desligar a Administrator protection reduz as defesas contra o abuso de privilégios elevados. Por isso, faz sentido limitá-la ao menor número possível de máquinas e reforçar a monitorização desses anfitriões, que ficam expostos através de RDP, enquanto a exceção estiver em vigor.

Segundo problema com o Ambiente de Trabalho Remoto em pouco mais de um mês

Esta falha chega pouco depois de outra, que afetou os Serviços de Ambiente de Trabalho Remoto (RDS) em setembro. Nas notas da KB5124008, a Microsoft reconheceu que, depois da atualização de segurança de setembro de 2026, os RDS podiam ficar instáveis em algumas organizações, com ligações RDP a falhar ao fim de vários minutos. Esse problema foi resolvido de forma mais rápida: a Microsoft indica que ficou corrigido nas atualizações publicadas a partir de 14 de setembro de 2026, como a KB5129195.

DataAcontecimento
8 set. 2026Patch Tuesday de setembro (KB5124008 e equivalentes)
12 set. 2026A Microsoft regista o problema de instabilidade dos RDS
14 set. 2026Atualizações extraordinárias (out-of-band) corrigem os RDS
22 set. 2026Atualização de pré-visualização KB5124010 (origem do erro 0xC000000D)
13 out. 2026Patch Tuesday de outubro; a Administrator protection passa a vir ativa nas linhas de base; a Microsoft regista o novo problema

Também a 13 de outubro, as edições Home e Pro do Windows 11 24H2 e o Windows 10 Enterprise LTSB 2016 deixaram de receber atualizações, sendo a de outubro de 2026 a última disponível. Quem ainda usa essas edições deve planear a migração.

Porque é que isto importa em Portugal

O acesso remoto por RDP continua a ser essencial para muitas PME, autarquias e prestadores de serviços de TI em Portugal, tanto no teletrabalho como na gestão de servidores. Uma falha que impede os utilizadores comuns de se ligarem afeta diretamente a continuidade do negócio. A forma de a contornar também conta: desligar uma proteção sem documentação nem controlo pode criar uma lacuna de segurança difícil de justificar mais tarde.

Para as entidades abrangidas pelo Regime Jurídico da Cibersegurança (Decreto-Lei n.º 125/2025, que transpõe a NIS2), este caso mostra a importância de ter processos de gestão de atualizações e de alterações com testes prévios, registo de exceções e planos de reversão. Também ilustra o equilíbrio necessário entre aplicar configurações de segurança mais exigentes e manter os serviços disponíveis. As linhas de base devem ser validadas num grupo-piloto antes de chegarem a toda a organização. Quando há acesso remoto a sistemas com dados pessoais, qualquer exceção temporária deve ser ponderada também à luz do RGPD, que exige medidas técnicas adequadas ao risco. O CNCS/CERT.PT publica recomendações sobre a proteção de serviços de acesso remoto, que são úteis para rever a exposição destes anfitriões.

Perguntas frequentes

O que significa o erro 0xC000000D no Ambiente de Trabalho Remoto?

Significa que o sistema considerou inválido o token de autenticação. Neste caso, acontece quando um utilizador sem privilégios de administrador tenta ligar-se a um Windows 11 com a Administrator protection ativa, depois de instalada a KB5124010 ou atualizações posteriores.

Os utilizadores domésticos são afetados?

Pouco provável. A Microsoft indica que o problema afeta sobretudo dispositivos geridos por organizações que funcionam como anfitriões RDP com a Administrator protection ativa, uma funcionalidade que vem desligada por omissão fora das linhas de base empresariais.

Devo desinstalar as atualizações de outubro?

Não. A solução recomendada é desativar temporariamente a Administrator protection nos anfitriões afetados, repondo a política User Account Control: Configure type of Admin Approval Mode. Remover as atualizações deixaria os sistemas sem as correções de segurança.

Já existe uma correção definitiva?

Não, à data da publicação. O problema está classificado como mitigado no Windows release health, o que quer dizer que só existe uma solução temporária. A Microsoft continua a trabalhar numa correção.

Esta informação tem caráter noticioso e baseia-se em dados divulgados publicamente pela Microsoft (Windows 11 26H2 release health), Microsoft (Windows 11 26H1 release health), Microsoft Learn (Administrator protection), Microsoft Support (KB5124008), Windows message center e BleepingComputer.