A empresa norte-americana ReliaQuest anunciou a adesão ao programa de parceiros de cibersegurança da OpenAI, o Daybreak Cyber Partner Program, numa aliança que promete acelerar a chegada de capacidades de inteligência artificial “agêntica” à defesa das organizações. A ReliaQuest passa a ter acesso a modelos avançados da OpenAI para desenvolver funcionalidades dentro da sua plataforma GreyMatter, num momento em que os atacantes recorrem cada vez mais à IA para automatizar e escalar intrusões.
Resposta rápida: A ReliaQuest juntou-se ao programa Daybreak da OpenAI para integrar modelos de IA avançados na sua plataforma de operações de segurança GreyMatter. O objetivo é permitir detetar, investigar e responder a ameaças mais depressa, num contexto em que os atacantes já usam IA para acelerar os ataques. Para empresas e equipas de segurança, o sinal é claro: a automação defensiva assente em IA está a tornar-se central e exige governação, controlos e supervisão humana.
O que foi anunciado
Sediada em Tampa, na Florida, a ReliaQuest confirmou a 20 de julho de 2026 que aderiu ao programa da OpenAI. Segundo a empresa, o programa proporciona-lhe uma colaboração técnica mais estreita e acesso às capacidades e modelos de cibersegurança de fronteira da OpenAI, para ajudar as organizações a encontrar e corrigir vulnerabilidades mais depressa, ao mesmo tempo que permite às equipas acompanhar o ritmo dos adversários que usam IA para automatizar e escalar ataques.
Na prática, a ReliaQuest recebe acesso a modelos avançados da OpenAI para apoiar o desenvolvimento rápido dentro da plataforma GreyMatter. As duas empresas afirmam que vão identificar e priorizar em conjunto casos de uso de elevado impacto em operações de segurança, colaborando ao longo do desenvolvimento, teste e avaliação, e da colocação em produção dentro da GreyMatter e dos fluxos de trabalho geridos associados.
Brian Murphy, fundador e CEO da ReliaQuest, resumiu a lógica da parceria. Afirmou que “a cibersegurança está a ser remodelada pela IA em ambos os lados” e que quanto maior for a colaboração, melhor será a defesa contra ataques movidos a IA. Acrescentou que a parceria ajuda a empresa a mover-se mais depressa para levar capacidades de IA agêntica à GreyMatter, de modo a que as equipas de segurança investiguem e respondam a ameaças em minutos.
O que é o programa Daybreak da OpenAI
O Daybreak Cyber Partner Program foi apresentado pela OpenAI a 22 de junho de 2026, no âmbito de uma expansão mais ampla da sua iniciativa de cibersegurança. Segundo a OpenAI, o programa permite que os parceiros de segurança escalem os benefícios dos seus modelos mais capazes a mais organizações, com acesso confiável (“trusted access”) integrado nos respetivos produtos e serviços.
Através do programa, os parceiros participantes podem usar o GPT-5.5 com Trusted Access for Cyber — o modelo primário para a maioria dos fluxos de trabalho de cibersegurança defensiva — nos produtos e serviços que oferecem aos clientes. A OpenAI sublinha que este mecanismo mantém o acesso direto ao modelo nas mãos dos parceiros participantes, deixando os clientes a beneficiar das capacidades defensivas sem acesso direto ao modelo.
O Trusted Access for Cyber inclui salvaguardas, monitorização e medidas de verificação adicionais. A expansão do Daybreak trouxe ainda outras novidades. A atualização abrangeu uma nova versão do plugin Codex Security, uma libertação limitada da versão completa do modelo GPT-5.5-Cyber a defensores aprovados, o programa de parceiros para fornecedores de segurança, e uma nova iniciativa de código aberto chamada Patch the Planet.
A ReliaQuest junta-se a um leque alargado de participantes. Entre os parceiros divulgados pela OpenAI contam-se nomes como Accenture, Check Point, Cisco, CrowdStrike e IBM.
Como funciona a defesa “agêntica” da GreyMatter
A GreyMatter é a plataforma de operações de segurança da ReliaQuest. A empresa foi fundada em 2007 por Brian Murphy e apresenta-se como companhia de cibersegurança de IA agêntica. A plataforma permite às equipas usar IA para detetar ameaças, investigar incidentes, responder a ataques e pesquisar em todo o ambiente tecnológico com linguagem corrente, sem exigir conhecimento especializado das ferramentas.
No âmbito da parceria, a ReliaQuest não é apenas consumidora de tecnologia. A empresa vai também ajudar a definir boas práticas para a aplicação de IA em ambientes de segurança, contribuindo para normas de segurança, métodos para reduzir o abuso e controlos para monitorizar o uso da IA e detetar atividades não autorizadas.
Cronologia
| Data | Acontecimento |
|---|---|
| 22 de junho de 2026 | OpenAI apresenta a expansão da iniciativa Daybreak, o Daybreak Cyber Partner Program, o GPT-5.5-Cyber em versão alargada e a iniciativa Patch the Planet |
| 20 de julho de 2026 | ReliaQuest anuncia a adesão ao Daybreak Cyber Partner Program e a integração de modelos da OpenAI na plataforma GreyMatter |
Porque é que isto importa
A parceria surge num contexto em que a IA está a mudar o equilíbrio entre atacantes e defensores. Os atacantes usam cada vez mais a IA para escalar e acelerar intrusões e contornar defesas tradicionais, encurtando o tempo de que as equipas de segurança dispõem para detetar e responder. A resposta do setor tem passado por incorporar modelos de fronteira nas ferramentas que as equipas já utilizam, com o objetivo de reduzir o tempo entre a deteção e a contenção de uma ameaça.
Convém, ainda assim, ler estes anúncios com sentido crítico. Grande parte das descrições assenta em comunicados das empresas envolvidas, e expressões como “IA agêntica” ou “resposta em minutos” traduzem posicionamento de mercado. Para as organizações, o essencial é avaliar a eficácia real, a transparência dos modelos, a supervisão humana e os riscos de dependência de um único fornecedor. A própria OpenAI enquadra o acesso a estas capacidades sob salvaguardas, monitorização e prevenção de abuso — um reconhecimento de que ferramentas ofensivas e defensivas partilham a mesma base tecnológica.
Relevância para Portugal
Para as organizações nacionais, esta tendência cruza-se diretamente com o novo quadro legal. O Decreto-Lei n.º 125/2025, de 4 de dezembro, aprovou o novo Regime Jurídico da Cibersegurança, transpondo a Diretiva (UE) 2022/2555 (NIS2). O diploma entrou em vigor a 3 de abril de 2026.
O regime reforça as exigências em matéria de governação, gestão de risco, adoção de medidas técnicas e organizacionais e reporte de incidentes. O Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) consolida-se como autoridade nacional de cibersegurança, ponto de contacto único para a cooperação na União Europeia, autoridade nacional de certificação e entidade que integra a equipa nacional de resposta a incidentes. As adesões a soluções de deteção e resposta assentes em IA, como a que a ReliaQuest promove, podem apoiar as entidades essenciais e importantes a cumprir estes deveres — desde que acompanhadas de governação adequada.
As sanções não são despiciendas. A classificação de uma entidade como essencial ou importante determina obrigações específicas e coimas que podem chegar a 10 milhões de euros ou 2% do volume de negócios anual mundial para entidades essenciais, e até 7 milhões de euros ou 1,4% para entidades importantes. Há ainda a dimensão do RGPD: quando o processamento de telemetria e dados de segurança por modelos de IA envolve dados pessoais, aplicam-se os princípios de minimização, base legal e transparência, sob supervisão da CNPD.
Para as PME portuguesas, a mensagem prática é dupla: a IA reduz a barreira técnica para operar segurança avançada, mas não substitui uma estratégia de risco, cópias de segurança testadas, autenticação multifator e um plano de resposta a incidentes alinhado com o CNCS/CERT.PT.
Esta informação tem caráter noticioso e baseia-se em dados divulgados publicamente pela ReliaQuest, pela OpenAI, pelo Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) e em documentação sobre o Decreto-Lei n.º 125/2025.
