Cibersegurança em Portugal em Números: Estatísticas e Dados (2026)

Quantos ciberataques enfrenta uma organização portuguesa? Quantos incidentes regista o CERT.PT por ano? Como se compara Portugal com a média europeia? Reunimos numa só página os principais números da cibersegurança em Portugal em 2026, a partir de fontes oficiais e reputadas — CNCS, CERT.PT e Check Point Research — para servir de referência a jornalistas, investigadores, empresas e decisores. Todos os dados estão datados e com fonte identificada; sinta-se à vontade para citar, com atribuição à Cibersegurança.PT.

Resposta rápida — cibersegurança em Portugal em números (2026):

  • 2.639 ciberataques por semana, em média, por organização (junho 2026) — +29% em termos homólogos e +32% acima da média da UE
  • 2.758 incidentes registados pelo CERT.PT em 2024 — +36% face a 2023
  • +716% de aumento de ciberataques desde 2019
  • 90% das entidades de setores críticos percecionam risco acrescido
  • Portugal em 14.º no ranking global de cibersegurança (era 42.º em 2018)
  • Educação é o setor mais atacado, seguido de Administração Pública e Telecomunicações

Volume de ataques: Portugal acima da média europeia

Em junho de 2026, cada organização portuguesa sofreu, em média, 2.639 tentativas de ataque por semana, segundo a telemetria global da Check Point Research — um aumento de 29% face ao mesmo mês de 2025. Este valor coloca Portugal cerca de 32% acima da média europeia (2.003 ataques/semana) e 16% acima da média global (2.270), confirmando uma trajetória de pressão crescente que se mantém há vários anos.

A comparação ibérica é reveladora: mês após mês, as organizações portuguesas absorvem substancialmente mais pressão ofensiva do que a média europeia. Num espaço geográfico contíguo e com tecido empresarial semelhante, Portugal surge sistematicamente acima dos valores médios da UE.

A evolução mês a mês em 2026

Os relatórios mensais da Check Point Research permitem acompanhar a evolução da pressão de ataque sobre as organizações portuguesas ao longo de 2026. A tendência é de agravamento no segundo trimestre:

Mês (2026)Ataques/semana por organização (Portugal)Variação homóloga
Abril2.437+11%
Maio2.407+7%
Junho2.639+29%
Fonte: Check Point Research, relatórios mensais de ciberameaças (2026).

Portugal vs. Espanha, UE e média global

RegiãoAtaques/semana por organização (junho 2026)Vs. Portugal
Portugal2.639
Média global2.270-16%
Média União Europeia2.003-32%
Fonte: Check Point Research, junho de 2026.

Incidentes registados: o crescimento do CERT.PT

Do lado da resposta nacional a incidentes, os números do CERT.PT (a equipa de resposta a incidentes integrada no CNCS) mostram uma trajetória claramente ascendente. Em 2024, o CERT.PT registou 2.758 incidentes de cibersegurança — um aumento de 36% face a 2023. No conjunto do período, os ciberataques em Portugal terão crescido mais de 716% desde 2019.

As ameaças mais frequentes continuam a ser o phishing e o smishing, seguidos de perto pela engenharia social. O que mudou de forma mais notória foi a sofisticação: a inteligência artificial generativa baixou o custo de produzir campanhas de fraude convincentes e à escala, aumentando quer o volume quer a taxa de sucesso das tentativas.

Setores mais visados

À escala global, o setor da Educação voltou a ser o mais atacado em 2026, com uma média próxima dos 4.800 ataques semanais por organização — mais do dobro da média geral. Universidades, politécnicos e escolas concentram dados pessoais de milhares de alunos, orçamentos de segurança limitados e redes abertas por natureza, uma combinação atrativa para os atacantes. Seguem-se a Administração Pública (cerca de 2.836 ataques/semana) e as Telecomunicações (cerca de 2.835).

Em Portugal, o padrão acompanha de perto o global: Educação, Administração Pública e Serviços Financeiros surgem acima da média, com Telecomunicações, Serviços Empresariais e Indústria Transformadora também sob pressão elevada. A Saúde e o Turismo são alvos preferenciais pelo valor dos dados que processam.

Segundo a 6.ª edição do Relatório de Cibersegurança do CNCS (“Riscos & Conflitos”, relativo a 2024), 90% das entidades inquiridas de setores críticos — energia, saúde, águas, portos, media e retalho — percecionavam um risco acrescido de sofrer um incidente em 2025.

Quem ataca: os grupos de ransomware ativos

O panorama de ransomware que afeta Portugal reflete a dinâmica internacional. Em meados de 2026, o grupo The Gentlemen — uma operação de ransomware-as-a-service surgida em 2025 — ascendeu ao segundo lugar mundial por número de vítimas, ultrapassando grupos estabelecidos como o Qilin e o LockBit e assumindo cerca de 17% dos ataques divulgados num único mês. Este grupo reivindicou, em julho de 2026, o ataque à Metro Mondego, um dos incidentes recentes com maior visibilidade em Portugal.

Portugal na comparação internacional

Apesar da pressão crescente, Portugal melhorou significativamente a sua maturidade em cibersegurança. De acordo com dados citados no Relatório do CNCS, o país subiu para o 14.º lugar no ranking global de cibersegurança (era 42.º em 2018) e ocupa o 8.º lugar a nível europeu (era 25.º em 2018) — uma das subidas mais expressivas entre os países avaliados.

Enquadramento legal: a NIS2 já está em vigor

Desde abril de 2026 está em vigor em Portugal o Decreto-Lei n.º 125/2025, que transpõe a diretiva europeia NIS2 e estabelece o novo Regime Jurídico da Cibersegurança. A lei impõe obrigações de gestão de risco, registo de entidades essenciais e importantes, e notificação obrigatória de incidentes ao CNCS, alargando significativamente o número de organizações abrangidas face ao regime anterior.

Perguntas frequentes

Quantos ciberataques sofre uma organização portuguesa por semana?

Em junho de 2026, cada organização portuguesa sofreu em média 2.639 tentativas de ataque por semana, segundo a Check Point Research — cerca de 32% acima da média da União Europeia (2.003) e 16% acima da média global (2.270).

Quantos incidentes de cibersegurança são registados em Portugal por ano?

Em 2024, o CERT.PT registou 2.758 incidentes de cibersegurança, um aumento de 36% face a 2023. Desde 2019, os ciberataques em Portugal terão crescido mais de 716%.

Qual é o setor mais atacado em Portugal?

A Educação é o setor mais visado, seguida da Administração Pública e das Telecomunicações, um padrão que acompanha a tendência global.

Portugal está mais ou menos exposto do que a média europeia?

Portugal está sistematicamente acima da média europeia. Em junho de 2026, registou 32% mais ataques semanais por organização do que a média da União Europeia.

Fontes e metodologia

  • Check Point Research — relatórios mensais globais de ciberameaças (abril, maio e junho de 2026), com telemetria de ataques por semana e por organização.
  • CNCS / CERT.PT — 6.ª edição do Relatório de Cibersegurança (“Riscos & Conflitos”) e Observatório de Cibersegurança, 7.ª edição do Relatório “Sociedade 2025” (abril de 2026) e rankings internacionais.

Última atualização: julho de 2026. Esta página é atualizada à medida que novos dados oficiais são divulgados. Para citar, atribua a “Cibersegurança.PT” com ligação para esta página.