Apple reforça controlo parental no iOS 27: contas de crianças ganham filtros, limites e aprovação parental para cada contacto

A Apple anunciou hoje, 8 de junho de 2026, durante a sua conferência anual de programadores (WWDC 2026), um conjunto alargado de melhorias nas Contas de Crianças integradas no iOS 27. As novas funcionalidades, que chegam ao iPhone, iPad, Mac, Apple Watch e Apple TV ainda este ano com as respetivas atualizações de sistema, dão aos pais e encarregados de educação mais controlo e visibilidade sobre o que os seus filhos acedem, com quem comunicam e quanto tempo passam nos dispositivos. As novidades surgem numa altura em que a pressão regulatória e pública sobre a responsabilidade das plataformas tecnológicas face aos menores é crescente.

O que muda nas Contas de Crianças

A Conta de Crianças da Apple passa a ser mais acessível: qualquer conta Apple já existente pode agora ser convertida numa Conta de Criança, sem necessidade de criar um registo de raiz. No momento de configuração, os pais selecionam uma faixa etária, e o sistema aplica automaticamente predefinições de controlo parental adequadas a essa idade — eliminando grande parte da configuração manual que até aqui era necessária.

Entre as funcionalidades disponíveis com as novas Contas de Crianças destacam-se:

  • Restrições por horário e por categoria: os pais podem definir quando cada criança tem acesso a determinadas aplicações e sites, e impor limites de tempo diário por categoria (redes sociais, jogos, etc.).
  • Lista branca de contactos: apenas as pessoas autorizadas pelos pais podem contactar a criança. Para adicionar um novo contacto, é necessária aprovação parental.
  • Ask to Browse (Pedir para navegar): ativado por defeito para crianças com menos de 13 anos. Antes de aceder a um site não previamente autorizado no Safari, a criança tem de pedir aprovação aos pais.
  • Filtragem de mensagens: os conteúdos de mensagens são analisados localmente no dispositivo para identificar material sensível ou prejudicial.
  • Desfoque automático de conteúdos prejudiciais: imagens e vídeos com conteúdo inadequado são automaticamente desfocados nos dispositivos das crianças.
  • Safety APIs para programadores: a Apple disponibiliza uma nova camada de interfaces de programação (APIs) que permitem aos criadores de apps integrar proteções de segurança específicas para menores nas suas aplicações, com acesso a informação como a faixa etária definida na Conta de Criança.

O contexto: críticas e pressão regulatória

O anúncio surge na sequência de críticas persistentes de grupos de defesa dos direitos dos menores, que argumentavam que os controlos parentais existentes da Apple eram insuficientes. Em 2025, o Wall Street Journal publicou uma investigação que identificou cerca de 200 aplicações classificadas como adequadas a crianças na App Store que, na prática, continham conteúdos sobre dietas, filtros de beleza, jogos violentos ou funcionalidades de chat anónimo.

A tendência regulatória a nível global vai no mesmo sentido. A União Europeia, através do Regulamento dos Serviços Digitais (DSA) e de legislação complementar, exige às plataformas que adotem medidas específicas de proteção de menores, incluindo verificação de idade e predefinições de privacidade reforçadas. Em Portugal, a Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) tem salientado que os dados de menores merecem proteção acrescida ao abrigo do RGPD.

Quando chegam e a quem se aplicam

As funcionalidades anunciadas estarão disponíveis no outono de 2026, integradas nas atualizações iOS 27, iPadOS 27, macOS Golden Gate, watchOS e tvOS. As betas de programador já estão acessíveis a partir desta semana. Qualquer família com dispositivos Apple compatíveis — iPhone a partir do modelo 11 para o iOS 27 — poderá beneficiar das novas ferramentas sem custo adicional.

Porque é que isto importa

Para os pais e encarregados de educação em Portugal, estas funcionalidades representam um passo concreto para gerir com mais precisão a presença digital dos filhos — um tema cada vez mais premente quando se sabe que a maioria das crianças portuguesas tem acesso a um dispositivo conectado antes dos 10 anos, e que as redes sociais e os jogos online são as principais preocupações das famílias em matéria de segurança digital.

A introdução das Safety APIs é igualmente relevante para os programadores portugueses e europeus que desenvolvem aplicações para crianças: passa a existir um mecanismo nativo para adaptar a experiência da app à idade do utilizador, sem necessidade de recolher ou tratar dados pessoais adicionais — o que facilita a conformidade com o RGPD e com as futuras exigências do DSA.

É importante sublinhar que estas ferramentas são complementos tecnológicos ao acompanhamento parental, não substitutos. A conversa em família sobre o uso seguro e saudável da tecnologia continua a ser a medida de proteção mais eficaz.

Esta informação tem caráter noticioso e baseia-se em dados divulgados publicamente pela Apple durante a WWDC 2026 e em publicações especializadas como a Notebookcheck e o Tom’s Guide.