A Anthropic anunciou a 15 de junho de 2026 uma atualização à política de privacidade aplicável aos utilizadores dos planos de consumo do Claude — Free, Pro e Max. As alterações entram em vigor a 8 de julho de 2026 e introduzem, entre outros pontos, a possibilidade de a empresa solicitar a verificação da idade ou identidade de utilizadores, num conjunto de mudanças que a empresa enquadra como parte de uma revisão mais abrangente da sua documentação de privacidade para o segmento de consumo.
O que muda a 8 de julho
A Anthropic resumiu as principais alterações no seu portal de privacidade (privacy.claude.com). As mudanças não se aplicam a utilizadores de planos Claude Team, Enterprise ou da plataforma de programadores, que continuam abrangidos por termos comerciais separados. Afetam exclusivamente as contas de consumo individuais. Os principais pontos são:
- Verificação de identidade e idade: A política passa a incluir uma categoria explícita de “Dados de Verificação”, descrevendo que tipo de informação pode ser recolhida e como pode ser utilizada quando a Anthropic solicite a um utilizador que confirme a sua identidade ou idade, com o objetivo declarado de manter os serviços “seguros e protegidos”. A política não detalha o mecanismo exato de verificação, mas formaliza a autorização para a empresa o fazer.
- Tarefas de múltiplos passos e apps ligadas: O Claude tem vindo a ser utilizado em fluxos de trabalho mais longos, com integração de serviços de terceiros. A política atualizada passa a detalhar que dados são partilhados com esses terceiros quando um utilizador liga um serviço externo, e que informação a Anthropic recebe em retorno quando o Claude executa tarefas em nome do utilizador.
- Participação em estudos: A política acrescenta informação sobre os dados recolhidos quando um utilizador aceita participar em investigação da Anthropic — estudos, inquéritos ou entrevistas.
- Práticas de dados e bases legais: São adicionados detalhes sobre como a Anthropic comunica com utilizadores e promove os seus serviços, incluindo recomendações personalizadas, e maior clareza sobre os casos em que dados podem ser partilhados com terceiros e as bases legais aplicáveis.
O que a Anthropic mantém inalterado
A Anthropic reitera no documento atualizado três compromissos que considera centrais à sua abordagem: não vende dados dos utilizadores, o Claude mantém-se sem publicidade, e os utilizadores podem controlar se as suas conversas são utilizadas para melhorar os modelos de IA da empresa — esse mecanismo de opt-out permanece disponível. A política estabelece ainda uma distinção explícita entre os dados de verificação de identidade e os dados de treino de modelos, indicando que a informação recolhida durante processos de verificação não é utilizada para alimentar o aprendizado do Claude.
Contexto e implicações para utilizadores europeus
A introdução de mecanismos de verificação de identidade num serviço de IA generativa de uso geral levanta questões relevantes no contexto europeu. O Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) impõe requisitos específicos ao tratamento de dados de identificação — incluindo a necessidade de base legal adequada, minimização de dados e limitação do prazo de conservação. Para utilizadores com residência na União Europeia, a política deverá ser lida em conjunto com os suplementos regionais que a Anthropic disponibiliza, que especificam as bases legais aplicáveis ao tratamento de dados pessoais em território europeu.
A Anthropic não detalhou publicamente se os processos de verificação de identidade serão geridos internamente ou delegados a fornecedores externos especializados — uma distinção relevante do ponto de vista da proteção de dados, já que esses fornecedores passariam a aceder a dados de identificação sensíveis (como documentos de identidade ou imagens biométricas) em nome da empresa.
Por outro lado, a expansão do detalhe relativo a tarefas autónomas e apps de terceiros é coerente com a evolução do produto: o Claude tem vindo a ganhar capacidades agênticas — execução de tarefas longas, acesso a sistemas externos, tomada de decisões em nome do utilizador — que implicam fluxos de dados mais complexos do que uma simples sessão de chat. Maior transparência sobre esses fluxos é, em princípio, um desenvolvimento positivo do ponto de vista da privacidade.
Porque é que isto importa
A atualização da política de privacidade da Anthropic insere-se numa tendência mais ampla de regulação crescente dos serviços de IA generativa. O AI Act europeu, em vigor desde 2024, classifica determinados sistemas de IA como de alto risco quando envolvem identificação biométrica ou tomada de decisões que afetam direitos individuais. A verificação de identidade em plataformas de IA pode, dependendo da sua implementação, cair sob esse enquadramento regulatório.
Para os utilizadores portugueses dos planos de consumo do Claude, a mudança mais imediata é a possibilidade de, a partir de 8 de julho, serem solicitados a verificar a sua idade ou identidade em determinadas circunstâncias. A Anthropic não especificou em que situações essa verificação será exigida nem com que frequência.
Esta informação tem caráter noticioso e baseia-se na documentação publicada pelo Anthropic Privacy Center e no aviso de atualização da política de privacidade da Anthropic, datado de 15 de junho de 2026.
