Na madrugada de quinta-feira, 5 de novembro, a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira sofreu um ataque informático que deixou sem funcionar todos os sistemas informáticos da autarquia, o correio eletrónico e os telefones fixos. O município comunicou o incidente ao Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS). Até agora não se sabe que tipo de ataque foi nem se houve acesso a dados. O caso surge menos de três semanas depois de um incidente semelhante na Câmara de Ovar, um concelho vizinho, que ainda não recuperou totalmente.
Resposta rápida: A Câmara de Santa Maria da Feira foi alvo de um ataque informático a 5 de novembro, que afetou todos os sistemas, o email e os telefones fixos. O atendimento presencial continua, mas não é possível tratar procedimentos que dependam das aplicações municipais. O incidente foi comunicado ao CNCS e ainda não se sabe que tipo de ataque foi nem se houve fuga de dados. Os munícipes devem seguir apenas os canais oficiais da autarquia e desconfiar de mensagens que digam vir da Câmara durante este período.
O que aconteceu na Câmara da Feira
Segundo fonte oficial da autarquia, citada pela agência Lusa e reproduzida pelo Diário de Aveiro, o ataque ocorreu durante a madrugada e o problema “está a provocar perturbações no funcionamento dos serviços”. No comunicado divulgado nas redes sociais, a própria Câmara classificou o caso como um “crime informático”. Acrescentou que, neste momento, todos os sistemas informáticos encontram-se afetados, estando igualmente indisponíveis os endereços de correio eletrónico e os números de telefone fixo do Município.
O impacto não foi igual em todos os serviços. De acordo com a mesma fonte, alguns departamentos ainda têm acesso aos seus arquivos nos computadores, mas apenas para efeitos de consulta, sem possibilidade de edição. Este pormenor indica que pelo menos parte da informação continua acessível nos postos de trabalho. Mas não chega para concluir que tipo de ataque foi nem o seu alcance real.
A autarquia diz que ativou de imediato os procedimentos de resposta e que os serviços técnicos municipais estão a trabalhar para avaliar a dimensão do ataque e conter os seus efeitos. A situação já foi comunicada às autoridades competentes nomeadamente ao Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), e o município garante que está a acompanhar o caso em permanência.
Ponto de situação: atendimento mantém-se, mas com limitações
Na manhã de sexta-feira, 6 de novembro, a Câmara fez uma atualização. Os serviços “mantêm-se em funcionamento, apesar dos fortes constrangimentos provocados pelo ataque informático”. Na nota informativa, a autarquia esclarece que “o atendimento ao público continua assegurado, embora não seja possível realizar procedimentos que dependam do acesso às aplicações informáticas municipais”.
Segundo a Câmara, os serviços técnicos estão a trabalhar com o CNCS e com as restantes entidades competentes para pôr os sistemas afetados de novo a funcionar. Também não foi avançada uma previsão para a reposição dos sistemas e dos canais habituais de comunicação.
O que ainda não se sabe
Até à data deste artigo, a Câmara não divulgou dados técnicos que permitam caracterizar o ataque. Não são conhecidos pormenores sobre a origem e a natureza do ataque, nem existem informações sobre um eventual acesso indevido ou extração de dados municipais. Por isso, este artigo não inclui indicadores de comprometimento (IOCs), vulnerabilidades exploradas nem identificadores CVE: nenhuma entidade oficial os tornou públicos.
O padrão descrito é típico de incidentes graves: indisponibilidade generalizada, ficheiros acessíveis apenas para leitura e serviços de comunicação em baixo. Mas não há confirmação oficial de que se trate de ransomware, nem qualquer reivindicação pública verificada. Também não se sabe se os sistemas foram desligados por precaução, para conter o ataque, algo comum na resposta a incidentes. Qualquer atribuição a um grupo criminoso seria, por agora, especulativa.
Ovar, o precedente a poucos quilómetros
O caso da Feira chama a atenção porque o município vizinho de Ovar passou por um cenário parecido em outubro. Como noticiou a Renascença, a Câmara de Ovar foi alvo de um ataque informático e está com o seu sistema inoperacional, o que obrigou a fechar os serviços ao público até 21 de outubro. A autarquia anunciou também que ia “suspender todos os prazos dos procedimentos administrativos que estão a decorrer”, para proteger os munícipes.
Mais de duas semanas depois, a recuperação ainda não está concluída. A Câmara de Ovar recuperou o correio eletrónico para contactos dos cidadãos, mas ainda não tem acesso a parte dos sistemas e aplicações informáticas, pelo que os procedimentos de Urbanismo permanecem suspensos, exceto os processos que não dependem do sistema de obras particulares. Até agora, não existe, contudo, qualquer informação que permita estabelecer uma ligação entre os dois ataques.
| Data | Acontecimento |
|---|---|
| 17–18 out. 2026 | Ataque informático deixa sem funcionar o sistema informático da Câmara de Ovar |
| 18–21 out. 2026 | Ovar fecha os serviços municipais ao público e suspende os prazos administrativos |
| 22 out. 2026 | Ovar começa a aplicar medidas temporárias e excecionais |
| 4 nov. 2026 | Ovar recupera o correio eletrónico, mas continua sem parte das aplicações |
| 5 nov. 2026 (madrugada) | Ataque informático à Câmara de Santa Maria da Feira, com todos os sistemas afetados |
| 5 nov. 2026 | A Feira comunica o incidente ao CNCS e ativa os procedimentos de resposta |
| 6 nov. 2026 (manhã) | A Feira mantém o atendimento presencial, sem procedimentos que dependam das aplicações |
O que devem fazer os munícipes e as empresas do concelho
Quando um organismo público perde o email e os telefones, abre-se uma janela para burlas. Os criminosos aproveitam a confusão para se fazerem passar pela entidade. Mesmo sem indícios públicos de que isso esteja a acontecer neste caso, há cuidados que fazem sentido:
- Seguir apenas as redes sociais oficiais e o atendimento presencial do município para saber como está a situação.
- Desconfiar de emails, SMS ou chamadas que digam vir da Câmara e peçam pagamentos, dados bancários ou credenciais, sobretudo enquanto o email oficial estiver em baixo.
- Fornecedores e empresas que se relacionam com a autarquia devem confirmar por outro canal qualquer pedido para mudar o IBAN ou fazer pagamentos urgentes.
- Guardar comprovativos de pedidos e requerimentos com prazos, para o caso de haver atrasos causados pelo incidente.
Para as equipas de TI de outras autarquias, os dois casos lembram medidas básicas: cópias de segurança desligadas da rede e testadas, separação entre redes administrativas e de serviços, autenticação multifator nos acessos remotos e planos para continuar a funcionar sem email nem telefone fixo.
Porque é que este caso importa em Portugal
Estes ataques acontecem já com o novo Regime Jurídico da Cibersegurança em vigor. O regime foi aprovado pelo Decreto-Lei n.º 125/2025, que transpõe a diretiva NIS2, e aplica-se desde abril de 2026. Segundo o CNCS, o novo regime abrange, ainda, uma parte significativa da Administração Pública, incluindo a administração autónoma, onde se incluem as autarquias locais. A forma como cada município é classificado depende de critérios definidos no diploma, como a dimensão. Para as entidades abrangidas, o regime exige medidas de gestão do risco e prazos curtos para comunicar incidentes significativos ao CNCS.
Há também a questão da proteção de dados. As câmaras guardam informação pessoal sensível de milhares de cidadãos: processos de urbanismo, ação social, tributos, registos de animais. Se a investigação confirmar acesso indevido a dados pessoais, o RGPD obriga o responsável pelo tratamento a notificar a CNPD no prazo de 72 horas. Se houver risco elevado, tem também de informar as pessoas afetadas. Nada disto foi confirmado até agora no caso da Feira.
Dois incidentes graves em municípios vizinhos em menos de um mês mostram como a administração local é vulnerável. Os serviços prestados pelas câmaras são essenciais para cidadãos e empresas, e muitas autarquias têm recursos técnicos limitados. A Cibersegurança.PT vai continuar a acompanhar o caso e atualizará a informação quando a Câmara ou o CNCS divulgarem novos dados.
Perguntas frequentes
Os serviços da Câmara de Santa Maria da Feira estão fechados?
Não. Segundo a autarquia, o atendimento ao público continua assegurado. No entanto, não é possível tratar procedimentos que dependam das aplicações informáticas municipais, e o email e os telefones fixos continuam indisponíveis.
Os dados pessoais dos munícipes foram roubados?
Até agora não há informação pública que confirme ou desminta acesso indevido ou extração de dados. A Câmara ainda não divulgou que tipo de ataque foi.
Há ligação entre os ataques de Ovar e de Santa Maria da Feira?
Não há qualquer informação oficial que permita ligar os dois incidentes. A proximidade geográfica e temporal chama a atenção, mas não prova que tenham a mesma origem.
Como me protejo de burlas relacionadas com este incidente?
Siga apenas os canais oficiais do município. Não responda a mensagens que peçam pagamentos, dados bancários ou palavras-passe em nome da Câmara. Confirme sempre presencialmente ou por outro canal qualquer pedido fora do habitual.
Esta informação tem caráter noticioso e baseia-se em dados divulgados publicamente pelo Município de Santa Maria da Feira, através da agência Lusa e do Notícias de Aveiro, pelo Município de Ovar, através da Renascença e do OvarNews, pelo Centro Nacional de Cibersegurança e pelo Diário da República.

