As organizações portuguesas enfrentaram, em média, 2.648 ciberataques por semana em agosto de 2026 — mais 28% do que no mesmo mês do ano passado, segundo o mais recente relatório de ameaças globais da Check Point Research. O valor coloca Portugal cerca de 9% acima da média mundial, num mês em que o ransomware quase duplicou a nível global e a exposição de dados através de ferramentas de inteligência artificial generativa se consolidou como risco empresarial.
Resposta rápida: Portugal registou 2.648 ataques semanais por organização em agosto (+28% homólogo), face a uma média mundial de 2.422 (+22%) e europeia de 2.155. A Educação manteve-se como o setor mais visado no país, seguida da Administração Pública e das Telecomunicações. A nível global, foram reportados 1.042 ataques de ransomware — quase o dobro de agosto de 2025 — e um em cada 43 prompts enviados a ferramentas de IA generativa a partir de redes empresariais apresentou risco de exposição de dados.

Educação e Administração Pública continuam na linha da frente
A Educação manteve a primeira posição entre os setores mais atacados em Portugal, seguida da Administração Pública e das Telecomunicações — os dois primeiros com níveis de ataque acima das respetivas referências mundiais. Os Bens e Serviços de Consumo subiram uma posição no ranking nacional, enquanto os Serviços Empresariais desceram para sexto lugar.
A nível mundial, o padrão repete-se: a Educação continua a ser o setor mais visado, com 5.354 ataques semanais por organização (+28% homólogo). Segue-se a Administração Pública, com 3.067 ataques, e a Hotelaria, Viagens e Lazer, que subiu ao terceiro lugar com 3.056 ataques e um crescimento anual de 56%. Regionalmente, a América Latina apresentou o maior volume absoluto (3.577 ataques semanais), mas foi a Europa que registou o crescimento homólogo mais rápido, 28% — o mesmo ritmo de subida verificado em Portugal.
O ransomware quase duplicou num só ano
Foram reportados 1.042 ataques de ransomware em agosto — quase o dobro do valor registado no mesmo mês de 2025, e mais 8% do que em julho. Os Serviços Empresariais concentraram 36% dos ataques divulgados, seguidos da Indústria Transformadora (13%) e dos Bens e Serviços de Consumo (12%).

A América do Norte manteve-se como a região mais afetada, com 49% das vítimas publicadas, seguida da Europa (27%) e da Ásia-Pacífico (16%). O grupo Qilin liderou a atividade, responsável por 15% dos ataques divulgados, seguido do The Gentlemen — o grupo já associado a ataques em Portugal — com 10%, e do Orova, que entrou pela primeira vez no top 3 com 4%.
IA generativa: mais uso, mesmo risco de exposição
Em agosto, um em cada 43 prompts enviados a partir de redes empresariais para ferramentas de IA generativa apresentou risco de exposição de dados — o valor mais baixo dos últimos meses, ainda que 86% das organizações que usam estas ferramentas com regularidade tenham sido afetadas por atividade de prompts de alto risco. A utilização continua, de resto, a crescer: cada utilizador gerou em média 106 prompts em agosto, face a 95 em julho e 78 em junho, recorrendo em média a sete ferramentas de IA diferentes.

A Saúde registou a maior taxa de prompts de alto risco (4%, ou um em cada 25), seguida do Software (3,6%) e dos Serviços Empresariais (3,5%). Entre as organizações onde foram identificados prompts com dados sensíveis, as categorias mais frequentes foram infraestrutura de rede e TI (67%), dados financeiros (65%), informação jurídica e regulamentar (64%), dados de colaboradores e recursos humanos (59%) e informação pessoal identificável (57%) — um retrato que devia preocupar particularmente os setores mais regulados em Portugal.

Phishing continua a subir
Um em cada 112 emails analisados em agosto foi classificado como phishing (0,89%), face a um em cada 128 em julho. Os links surgiram em 72% das mensagens de phishing e os anexos em 14% — mas algumas campanhas dispensaram ambos, recorrendo apenas a engenharia social, como pedidos de contacto telefónico. As Associações e Organizações sem Fins Lucrativos registaram a maior taxa de phishing (1,87%), seguidas da Construção e Engenharia (1,74%) e do Imobiliário (1,13%).
Porque é que isto importa em Portugal
Este é já o terceiro mês consecutivo em que a Check Point Research coloca Portugal acima das médias mundial e europeia de ciberataques semanais — um padrão que acompanhamos mês a mês na nossa página de referência sobre cibersegurança em Portugal em números, atualizada com os dados mais recentes disponíveis. A concentração de ataques em Educação e Administração Pública, dois setores historicamente subinvestidos em cibersegurança, é motivo de atenção redobrada por parte de quem gere infraestrutura crítica e serviços públicos digitais.
Omer Dembinsky, Data Research Manager da Check Point Research, resume a leitura dos dados de agosto: o risco cibernético está a aumentar em várias frentes ao mesmo tempo — mais ataques, ransomware acelerado, phishing como porta de entrada frequente e a IA generativa como novo caminho para a exposição de dados. Para as equipas de segurança, a recomendação é clara: já não chega ter defesas fragmentadas; é preciso visibilidade, controlo e automatização coordenados em redes, cloud, terminais, correio eletrónico e utilização de IA.
Esta informação tem caráter noticioso e baseia-se em dados divulgados publicamente pela Check Point Software Technologies. Nota metodológica: os dados de ransomware baseiam-se nos sites de divulgação de vítimas operados por grupos de dupla extorsão, uma fonte com limitações reconhecidas mas útil para acompanhar tendências.
