Os ataques informáticos ao setor das criptomoedas voltaram a atingir níveis históricos em 2025. Segundo a empresa de análise de blockchain Chainalysis, foram roubados mais de 3,4 mil milhões de dólares em criptoativos ao longo do ano, um valor impulsionado por um número reduzido de ataques de grande dimensão e por uma escalada acentuada da atividade atribuída à Coreia do Norte. O caso mais marcante foi o assalto à plataforma Bybit, em fevereiro, que sozinho representou cerca de 1,5 mil milhões de dólares — o maior roubo de criptomoedas alguma vez registado.
Resposta rápida: Em 2025 foram roubados mais de 3,4 mil milhões de dólares em criptoativos, sendo que a Chainalysis atribui pelo menos 2,02 mil milhões a atores ligados à Coreia do Norte. O assalto à Bybit, em fevereiro, valeu cerca de 1,5 mil milhões. Cresceram também os ataques a carteiras pessoais: quem detém criptomoedas deve usar carteiras hardware, ativar autenticação multifator e desconfiar de abordagens não solicitadas.
Um ano recorde impulsionado por poucos ataques gigantes
De acordo com o relatório da Chainalysis, a indústria de criptomoedas registou mais de 3,4 mil milhões de dólares em roubos entre janeiro e o início de dezembro de 2025, com o comprometimento da Bybit em fevereiro a representar sozinho 1,5 mil milhões desse total. A tendência dominante do ano não foi um aumento do número de incidentes, mas sim a concentração das perdas num punhado de ataques de enorme impacto.
Os números confirmam essa concentração. Os três maiores ataques concentraram 69% das perdas, com casos extremos a atingirem mil vezes o valor mediano — em 2025 o rácio entre o maior ataque e a mediana de todos os incidentes ultrapassou pela primeira vez o limiar dos 1.000x. Por outras palavras, os fundos roubados nos maiores ataques passaram a ser cerca de mil vezes superiores aos de um incidente típico.
Esta escalada representa uma inversão face aos anos anteriores. Em 2022, a Chainalysis registou um recorde de 3,8 mil milhões de dólares em cripto roubada; em 2023, os totais caíram para cerca de 1,7 mil milhões, uma redução de cerca de 54% face ao ano anterior. O valor voltou a subir em 2024 e disparou em 2025.
O peso da Coreia do Norte
A dimensão do ano deve-se, em grande parte, à atividade estatal norte-coreana. Dos 3,4 mil milhões de dólares em cripto roubada entre janeiro e dezembro, a Chainalysis atribuiu pelo menos 2,02 mil milhões a piratas informáticos norte-coreanos — um valor 681 milhões de dólares superior ao estimado para 2024.
Segundo a empresa, os piratas norte-coreanos roubaram 2,02 mil milhões de dólares em 2025, um aumento homólogo de 51%, elevando o seu total histórico para 6,75 mil milhões apesar de terem realizado menos ataques. A Chainalysis descreve esta abordagem como uma mudança de padrão: a Coreia do Norte está a conseguir roubos maiores com menos incidentes, muitas vezes ao infiltrar trabalhadores de TI dentro de serviços de cripto ou recorrendo a táticas sofisticadas de personificação dirigidas a executivos.
O domínio destes atores tornou-se claro nos dados do ano. A Chainalysis afirmou que este foi o ano mais grave de sempre para os roubos de cripto norte-coreanos, uma vez que o país é responsável por 76% de todos os comprometimentos de serviços com base no valor roubado. O caso Upbit ilustra a persistência: além do assalto à Bybit, responsáveis sul-coreanos acusaram a Coreia do Norte de roubar 30 milhões de dólares em criptomoedas à plataforma Upbit.
O assalto à Bybit em contexto
O roubo à Bybit foi o motor de todo o ano. Este ataque alterou fundamentalmente o panorama de ameaças de 2025: com 1,5 mil milhões de dólares, o incidente representou o maior roubo de cripto da história e explicou cerca de 69% de todos os fundos roubados a serviços na primeira metade do ano.
A técnica utilizada aponta para a exploração da cadeia de fornecimento. Segundo a Chainalysis, a Coreia do Norte continua a ser criativa na exploração de vulnerabilidades de segurança, como demonstrou o ataque à cadeia de fornecimento através de um fornecedor terceiro no caso Bybit. Estes assaltos assentam frequentemente no roubo de chaves privadas — os segredos criptográficos que dão a uma pessoa controlo total sobre os ativos digitais.
Cronologia e números-chave
| Marco | Dados |
|---|---|
| Total roubado em 2025 | Mais de 3,4 mil milhões USD (janeiro–início de dezembro) |
| Assalto à Bybit | Fevereiro de 2025 — cerca de 1,5 mil milhões USD |
| Atribuído à Coreia do Norte | Pelo menos 2,02 mil milhões USD (+51% face a 2024) |
| Total histórico da RPDC (desde 2022) | Cerca de 6,75 mil milhões USD |
| Concentração das perdas | Os 3 maiores ataques = 69% do total |
A ameaça aproxima-se do utilizador individual
Para lá dos grandes assaltos a plataformas, o relatório sublinha um risco que toca diretamente os cidadãos. Os comprometimentos de carteiras individuais dispararam para 158.000 incidentes, afetando 80.000 vítimas únicas em 2025, embora o valor total roubado (713 milhões de dólares) tenha diminuído face a 2024.
Este crescimento reflete a expansão da adoção. A Chainalysis atribui esta subida ao maior interesse no investimento em criptomoedas, citando a Solana como exemplo, com ataques a carteiras ligadas a esta rede a somarem 26.500 vítimas. Preocupa também a componente física: os investigadores notaram o aumento dos comprometimentos de carteiras pessoais e dos chamados “ataques com chave-inglesa”, em que violência física ou coação é usada contra detentores de cripto.
As técnicas de engenharia social tornaram-se mais elaboradas. Os ataques a indivíduos representam agora cerca de 23% de toda a atividade de fundos roubados, uma fatia que quase duplicou em dois anos, com criminosos a recorrerem a esquemas de engenharia social sofisticados, vídeos deepfake e malware de um clique para comprometer carteiras pessoais.
Medidas de proteção recomendadas
- Guardar valores significativos em carteiras hardware (cold storage) e nunca em dispositivos permanentemente ligados à internet.
- Ativar autenticação multifator resistente a phishing em todas as contas de exchanges e serviços.
- Nunca partilhar chaves privadas ou frases-semente (seed phrases) e desconfiar de qualquer pedido nesse sentido.
- Verificar sempre endereços de destino e recusar ofertas de emprego, “suporte técnico” ou investimentos não solicitados — vetores comuns de engenharia social e de campanhas de infiltração.
- Manter atenção aos riscos físicos: não exibir publicamente a posse de criptoativos de elevado valor.
Porque é que isto importa em Portugal
Embora os grandes assaltos visem sobretudo plataformas internacionais, as tendências identificadas afetam diretamente utilizadores e empresas portuguesas. O crescimento dos ataques a carteiras individuais e das táticas de infiltração via falsos trabalhadores de TI amplia a superfície de risco para PME que operam com criptoativos ou que integram fornecedores tecnológicos externos — um vetor semelhante ao explorado no caso Bybit.
Para organizações abrangidas pelo novo Regime Jurídico da Cibersegurança (Decreto-Lei n.º 125/2025, que transpõe a NIS2), a gestão de riscos na cadeia de fornecimento e a notificação de incidentes ao CNCS/CERT.PT passam a ser obrigações reforçadas. Quando o roubo de criptoativos envolve dados pessoais de titulares — por exemplo, em fugas de informação associadas a exchanges — aplica-se ainda o RGPD, com deveres de notificação à CNPD. Manter higiene digital, autenticação forte e vigilância sobre fornecedores continua a ser a linha de defesa mais eficaz para cidadãos e empresas.
Perguntas frequentes
Quanto foi roubado em criptomoedas em 2025?
Segundo a Chainalysis, foram roubados mais de 3,4 mil milhões de dólares em criptoativos entre janeiro e o início de dezembro de 2025, com grande parte concentrada num número reduzido de ataques de elevado impacto.
Qual foi o maior ataque do ano?
O assalto à exchange Bybit, em fevereiro de 2025, que valeu cerca de 1,5 mil milhões de dólares e é considerado o maior roubo de criptomoedas alguma vez registado. Foi atribuído a atores ligados à Coreia do Norte.
Porque é que a Coreia do Norte rouba criptomoedas?
A Chainalysis e a ONU associam estas operações a uma fonte de receitas para o regime, contornando o isolamento financeiro internacional. Em 2025 a Coreia do Norte foi responsável por pelo menos 2,02 mil milhões de dólares roubados.
Como posso proteger as minhas criptomoedas?
Use carteiras hardware, ative autenticação multifator resistente a phishing, nunca partilhe chaves privadas nem frases-semente e desconfie de abordagens não solicitadas, sobretudo falsas ofertas de emprego ou de suporte técnico.
Esta informação tem caráter noticioso e baseia-se em dados divulgados publicamente pela Chainalysis (Relatório de Crime em Cripto de 2025/2026) e em reportagem de fontes reputadas.
