Gartner: investimento mundial em segurança da informação deve atingir 244 mil milhões de dólares em 2026

O investimento mundial em segurança da informação deverá atingir os 244 mil milhões de dólares em 2026, um crescimento de cerca de 13% face a 2025, segundo as previsões mais recentes da consultora Gartner. A trajetória é de aceleração contínua: depois dos 193 mil milhões gastos em 2024, o mercado deverá fechar 2025 nos 213 mil milhões — e a Gartner estima que chegue aos 322 mil milhões de dólares até 2029.

Crescimento resiste à incerteza económica

O contexto económico levou algumas organizações a adotar maior cautela em novos gastos, e a própria Gartner chegou a rever em baixa o ritmo de crescimento de 2025, para cerca de 10%. Ainda assim, a consultora considera que a tendência de fundo é sólida. Segundo o analista Ruggero Contu, fatores como o aumento dos orçamentos de defesa, a escalada das ameaças, a pressão regulatória crescente e uma maior consciencialização para a cibersegurança — em particular entre as pequenas e médias empresas — deverão sustentar o investimento no médio e longo prazo.

A inteligência artificial é apontada como um dos principais motores deste crescimento, num duplo sentido: as organizações investem em ferramentas de segurança potenciadas por IA, ao mesmo tempo que os atacantes usam IA generativa para tornar as suas campanhas mais rápidas e convincentes. A Gartner projeta que, até 2028, mais de 75% das empresas utilizem produtos de cibersegurança amplificados por IA — face a menos de 25% em 2025.

Software e cloud lideram o investimento

Entre os grandes segmentos analisados — software de segurança, serviços de segurança e segurança de rede —, o software é o que mais cresce: de 95 mil milhões de dólares em 2024 deverá passar para 106 mil milhões em 2025 e cerca de 121 mil milhões em 2026. O principal impulsionador é a migração contínua de sistemas locais para a cloud, que traz novos riscos e alimenta a procura por soluções de gestão de postura de segurança na cloud (CSPM) e por serviços de intermediação de acesso (CASB).

Na atualização mais recente das previsões, do final de 2025, a segurança na cloud surge mesmo como o subsegmento em crescimento mais acelerado, perto dos 29% ao ano. Já a segurança de rede mantém uma progressão mais moderada, dos 21,3 mil milhões de dólares em 2024 para cerca de 25,9 mil milhões em 2026.

Porque é que isto importa

Estes números confirmam que a cibersegurança deixou de ser uma rubrica menor dos orçamentos de TI para se tornar um investimento estratégico — e que quem não acompanhar o movimento fica em desvantagem face a atacantes cada vez mais bem equipados. A referência da Gartner ao papel das PME é particularmente relevante para Portugal: a consciencialização destas empresas é identificada como um dos motores do mercado, precisamente numa altura em que o Regime Jurídico da Cibersegurança (Decreto-Lei n.º 125/2025, que transpõe a NIS2) alarga as obrigações de segurança a milhares de entidades portuguesas, com o registo na plataforma MyCiber já em curso.

Para gestores e responsáveis de TI, a mensagem prática é dupla: o investimento em segurança deve ser planeado como despesa recorrente e crescente, e a sua alocação deve refletir para onde o risco se está a deslocar — cloud, identidade e utilização segura de IA — em vez de replicar os orçamentos de anos anteriores.

Esta informação tem caráter noticioso e baseia-se em dados divulgados publicamente pela Gartner e por imprensa internacional especializada.