U.Porto leva literacia digital às juntas de freguesia para proteger os cidadãos mais vulneráveis

O Centro de Competências em Cibersegurança e Privacidade da Universidade do Porto (C3P) está a deslocar-se às juntas de freguesia para levar formação prática de segurança digital diretamente às populações locais — com foco particular nos cidadãos mais idosos, os mais expostos a esquemas de fraude e burla online.

A iniciativa enquadra-se no projeto C-HUB – Cybersecurity Digital Innovation Hub, que tem como missão aproximar o conhecimento académico das autarquias e das comunidades de proximidade. As sessões abordam situações concretas do dia a dia digital: como reconhecer uma ligação suspeita, o que fazer quando alguém pede acesso a dados pessoais, ou como evitar partilhar informação com quem não devia tê-la.

Uma rede que começa no Porto e cresce para o país

O Município de Valongo foi o primeiro a aderir a esta iniciativa, acolhendo a sessão inaugural a 5 de maio, dirigida às juntas de freguesia do concelho. A Associação de Municípios de Terras de Santa Maria associou-se igualmente, reunindo representantes de várias freguesias da região num formato idêntico. Desde então, o projeto tem vindo a expandir-se a outros concelhos do Norte do país.

Para Rui Pereira, Diretor do Departamento de Inovação, Tecnologias de Informação e Comunicação da Câmara Municipal de Valongo, estas ações “respondem a uma necessidade muito concreta sentida pelas autarquias locais: apoiar os cidadãos na utilização dos serviços digitais” — uma frase que resume bem o espírito do projeto.

Phishing, burlas e dados pessoais: os temas em destaque

O conteúdo das sessões é deliberadamente prático. Em vez de conceitos técnicos abstratos, os formadores trabalham com exemplos reais de riscos quotidianos:

  • Identificação de mensagens e ligações suspeitas (phishing e smishing)
  • Prevenção da partilha indevida de dados pessoais em plataformas digitais
  • Utilização segura de serviços públicos online como o Portal das Finanças, o SNS ou a Segurança Social Direta
  • Reconhecimento de tentativas de fraude e comportamentos seguros no ambiente digital

O projeto estende-se igualmente a escolas e outros serviços locais, procurando construir uma rede de sensibilização que funcione como ponte entre as populações e o mundo digital — sem deixar ninguém para trás.

O C3P: 200 organizações apoiadas desde 2023

O C3P está integrado na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e tem como missão reforçar a cibersegurança em entidades públicas e privadas. Desde 2023, já apoiou cerca de 200 organizações em todo o país na avaliação de riscos e na adoção de boas práticas digitais, participando em projetos nacionais como o C-HUB e o C3Norte.

O contexto justifica a urgência: segundo o Relatório do Observatório de Cibersegurança, os incidentes de cibersegurança registaram um aumento de 36% em Portugal. A administração pública local é responsável por 32% das notificações de violação de dados no setor público — o que coloca as autarquias e as suas populações no centro das preocupações.

Porque é que isto importa

A digitalização dos serviços públicos trouxe comodidade, mas também novos riscos — especialmente para quem ainda depende de terceiros para aceder a plataformas digitais. Os idosos são, com frequência, os alvos preferenciais de burlões que exploram precisamente essa falta de familiaridade com o ambiente online.

Iniciativas como a do C3P da U.Porto mostram que a resposta a este problema não passa apenas por tecnologia: passa por educação de proximidade, com exemplos concretos, em sítios de confiança como as juntas de freguesia. É cibersegurança no terreno — e ao nível do cidadão comum.

No contexto do Regime Jurídico da Cibersegurança (Decreto-Lei n.º 125/2025), que transpõe para o direito português a Diretiva NIS2 da União Europeia, as autarquias estão também sujeitas a novas obrigações de segurança digital. A capacitação das equipas locais e das próprias populações torna-se, assim, um imperativo tanto legal como social.

Esta informação tem caráter noticioso e baseia-se em dados divulgados publicamente pela Universidade do Porto, pelo C3P – Centro de Competências em Cibersegurança e Privacidade, e por meios de comunicação nacionais.