A Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM) emitiu hoje, 8 de junho de 2026, um novo comunicado de alerta sobre uma campanha de fraude telefónica que usa o seu nome. Entre 25 de maio e esta data, foram registadas mais de 180 queixas de cidadãos que receberam chamadas de indivíduos que se apresentavam falsamente como agentes de fiscalização da ANACOM. A situação não é nova — os primeiros casos documentados remontam a abril deste ano — mas a entidade reguladora considera que o número de ocorrências atingiu um nível preocupante nas últimas semanas.
Como funciona o esquema
O método central desta campanha é o spoofing, uma técnica que permite falsificar o número de origem de uma chamada telefónica. No caso reportado, o número que aparece no ecrã do telemóvel da vítima é o 800 206 665 — o número verde oficial do serviço de atendimento ao público da ANACOM — criando uma aparência de legitimidade que pode facilmente enganar qualquer pessoa.
Quando a chamada é atendida, os interlocutores identificam-se como “agentes de fiscalização” da ANACOM e alegam que o número de telefone do destinatário foi utilizado para a prática de crimes, como o envio de mensagens fraudulentas ou o roubo de telemóveis. Em alguns casos reportados, mencionam também supostas comunicações da Polícia Judiciária e ameaçam o bloqueio de números ou serviços, criando urgência e pressão sobre a vítima.
Um elemento que confere particular credibilidade a estas chamadas é o uso de dados pessoais parcialmente corretos da vítima. Os burlões conhecem, por exemplo, o nome ou outros dados do destinatário, o que pode levar a pessoa a baixar a guarda e a fornecer informação adicional — que é precisamente o objetivo da chamada.
O que a ANACOM esclarece
A ANACOM é inequívoca: não realiza contactos desta natureza, não solicita dados pessoais por telefone e não partilha dados com outras entidades, incluindo autoridades policiais. Qualquer chamada que apresente estas características é fraudulenta, independentemente do número que aparece no ecrã.
O que deve fazer se receber uma chamada suspeita
- Não atenda nem devolva chamadas provenientes do número 800 206 665 enquanto persistir esta situação.
- Nunca forneça nem confirme dados pessoais (nome completo, morada, número de identificação, dados bancários ou outros) numa chamada não solicitada.
- Peça para verificar a identidade do interlocutor — nome, empresa e departamento — e solicite que o contacto seja retomado noutro momento para ter tempo de confirmar a autenticidade.
- Desconfie especialmente se a chamada invocar urgência, ameaças ou envolvimento de autoridades policiais.
- Se suspeitar que foi vítima de fraude, apresente queixa junto da PSP, GNR, Ministério Público ou DIAP da sua área de residência.
Uma campanha persistente com múltiplas vagas
Este não é o primeiro alerta da ANACOM sobre este tipo de fraude. Os primeiros casos desta campanha específica foram reportados nos dias 6 e 7 de abril de 2026, com uma nova vaga entre 20 e 22 de maio. A nova comunicação de hoje assinala uma terceira fase, mais intensa, com 180 queixas registadas em apenas duas semanas. Esta persistência indica que a campanha é conduzida de forma organizada e que os responsáveis têm capacidade para a manter ativa ao longo do tempo.
Porque é que isto importa
Campanhas de spoofing com spoofing de números de entidades oficiais são particularmente perigosas porque exploram a confiança que os cidadãos depositam nas instituições. Quando o número que aparece no telemóvel coincide com o de um organismo regulador, o nível de vigilância baixa naturalmente. O uso de dados pessoais parcialmente corretos reforça ainda mais esta ilusão de legitimidade.
Do ponto de vista técnico, o spoofing de chamadas voz é difícil de bloquear ao nível do utilizador final, porque a falsificação ocorre antes da chamada chegar ao terminal. As operadoras de telecomunicações e a ANACOM têm ferramentas para mitigar este tipo de abuso, mas a solução mais eficaz a curto prazo continua a ser a literacia digital dos cidadãos: saber que qualquer entidade — incluindo reguladores, bancos e autoridades policiais — não pede dados sensíveis por telefone é a defesa mais robusta contra este tipo de ataque de engenharia social.
A proteção de dados pessoais está consagrada no Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados (RGPD), e a cedência de informação pessoal a terceiros não autorizados pode ter consequências que vão desde o roubo de identidade à fraude bancária.
Esta informação tem caráter noticioso e baseia-se em dados divulgados publicamente pela ANACOM e em publicações como a RTP Notícias, o Observador e o Jornal de Notícias.
