João Ricardo Moreira, administrador da NOS Comunicações, declara ao Jornal Económico que no mercado português há “consciência da importância e sentido de urgência para a adoção de medidas de cibersegurança. Contudo, não têm necessariamente maturidade dos processos que as levam a tomar as decisões mais céleres, e adequar aos tempos que correm”.
Cibersegurança começa a ser a palavra de ordem nas empresas, numa altura em que a inteligência artificial (IA) já está amplamente implementada. Este avanço tecnológico fez com que os ciberataques se tornassem “usuais”.
Neste sentido é importante as empresas dedicarem tempo e investimento a esta área que se está a tornar crítica para muitas. Segundo João Ricardo Moreira, administrador da NOS Comunicações, no mercado português há “consciência da importância e sentido de urgência para a adoção de medidas de cibersegurança. Contudo, não têm necessariamente maturidade dos processos que as levam a tomar as decisões mais céleres, e adequar aos tempos que correm”.
Esta falta de maturidade nota-se principalmente nas “pequenas e médias empresas, onde a lacuna se faz sentir mais”, refere.
“Eu acho que quando falamos de cibersegurança parece que estamos como que a espreitar para um risco muito específico de haver ataques no digital, mas se observarmos bem, o que estamos a falar é da resiliência dos negócios ou mesmo da continuidade de negócio”, afirma.
O administrador da NOS Comunicações aponta que apesar de existir consciencialização é importante perceber “que isto não se faz sozinho, é preciso fazer em conjunto, nomeadamente com parceiros, com aqueles que percebem de tecnologia e que podem ajudar neste trajeto”.
Vivemos numa era em que a IA abre portas tanto ao “bem como ao mal”. “Quando se trazem níveis de evolução, conseguem-se propagar mais os efeitos maléficos de um ataque”, refere. “Esta ferramenta pode ser usada para o bem e para o mal, e do lado do mal, também se sente impacto”, afirma.
Para João Ricardo Moreira “há uma industrialização e profissionalização do crime do cibercrime, o que faz com que haja uma segregação de funções, que haja mercados que suportam a compra e venda de componentes de cibercrime”. “A IA exponencia os efeitos, não só aumenta a quantidade que traz a automação, mas aumenta a probabilidade de eles terem impactos negativos na sociedade e economias”.
Um dos desafios que o administrador aponta na cibersegurança é que “à medida que a digitalização é maior, maior é o risco de que ciberataques possam colocar em causa o negócio em si. O desafio é conseguir compreender que do lado do cibercrime as coisas estão cada vez mais sofisticadas”.
“As empresas não têm de inventar a roda, ou de fazer tudo em casa, bem pelo contrário”, aponta. “Com certeza tem de ter o talento mínimo, quanto mais não seja para saber tomas as decisões certas, mas pode contar com um ecossistema de parceiros que dão resposta mais eficaz, por um lado aos desafios, mas também do ponto de vista económico”.
Este tema é abordado numa altura em que se aproxima a entrada em vigor do novo regime jurídico da cibersegurança, a Diretiva (UE) 2022/2555, mais conhecida como NIS2, que dá resposta à crescente digitalização das organizações, e pretende aumentar a resiliência operacional digital, enquanto define obrigações específicas de cibersegurança para organizações de diversos setores.
A acompanhar esta diretiva está a soberania de dados, que cada vez mais torna-se uma preocupação e um dever para as entidades.
Para abordar a importância da cibersegurança a NOS vai realizar uma conferência esta quinta-feira, 26, no Porto, com o mote AI Security & Privacy Conference, onde vão estar reunidos líderes e decisores para falar sobre “os novos paradigmas e em que medida dever ser revistas as operações e os planos relativamente à cibersegurança”, afirma.
A NOS tem apostado nesta área, tendo no ano passado lançado uma nova área de negócio, a CyberInspect, que “permite de forma muito económica a uma PME que tenha um site onde consiga vender e que esteja seguro”, explica.
A empresa aposta no “desenvolvimento de plataformas e de serviços profissionais que pretendem dar resposta aos problemas de cibersegurança das empresas”, salienta.