Um ano depois do apagão que afetou Portugal, Espanha e parte de França, a ESET sublinha que proteger redes elétricas vai muito além da engenharia operacional — e os exemplos da Ucrânia à Polónia provam que a ameaça digital é real. O relatório final da ENTSO-E sobre o incidente identificou causas técnicas e operacionais e apresentou recomendações para reforçar a resiliência do sistema elétrico europeu interligado.
Um grupo de pessoas aguarda o restabelecimento da luz no Bairro da Liberdade, devido ao apagão que afeta Portugal de Norte a Sul e outros países europeus, em Lisboa, 28 de abril de 2025. O Governo criou um grupo de trabalho para acompanhar o apagão que afeta Portugal de Norte a Sul e outros países europeus e aponta que o problema “terá tido origem” fora de Portugal. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
Um ano depois do apagão que afetou Portugal e Espanha, com impacto também em partes do sudoeste de França, a ESET, maior empresa europeia de cibersegurança, sublinha que a resiliência das infraestruturas críticas não pode ser pensada apenas em termos operacionais ou físicos. O relatório final da ENTSO-E sobre o incidente identificou causas técnicas e operacionais e apresentou recomendações para reforçar a resiliência do sistema elétrico europeu interligado.
Embora o incidente ibérico não tenha sido apresentado publicamente como resultado de um ciberataque, a ESET recorda que os sistemas energéticos continuam a ser um alvo real para operações maliciosas. Para a empresa de cibersegurança, proteger infraestruturas críticas significa hoje garantir não apenas continuidade operacional, mas também visibilidade sobre ambientes IT e OT, segmentação, controlo de acessos, deteção precoce e capacidade de resposta a incidentes.
“Nem todos os apagões são ciberataques — mas todos exigem preparação. O que o apagão ibérico recorda é que a resiliência das infraestruturas críticas depende cada vez mais da capacidade de antecipar falhas, responder com rapidez e integrar a cibersegurança como parte da continuidade operacional”, refere Ricardo Neves, responsável pela comunicação da ESET Portugal.
O relatório ENTSO-E apontou causas operacionais ao apagão ibérico, mas a ESET sublinha que a preparação digital é indissociável da resiliência física.
Num contexto em que o risco físico, operacional e digital converge cada vez mais, a cibersegurança deixou de ser um tema paralelo e passou a ser uma parte essencial da resiliência.
A empresa defende que esta preparação deve incluir maior visibilidade sobre sistemas industriais, segmentação entre ambientes IT e OT, controlo de acessos remotos, monitorização contínua, revisão de dependências críticas e reforço dos planos de resposta e recuperação. O objetivo já não é apenas reduzir a probabilidade de ataque, mas também limitar o impacto quando um incidente ocorre.