Amazon diz que serviços estão operacionais depois de apagão que deixou sites em baixo | Internet


O serviço em nuvem da Amazon Web Services, a divisão de armazenamento da gigante da tecnologia que sustenta milhões de páginas de grandes empresas, regressou na tarde de segunda-feira às suas “operações normais” depois de uma interrupção causar turbulência e deitar abaixo milhares de sites, incluindo algumas das aplicações mais populares da Internet, como o Snapchat e o Reddit.

Ainda assim, a Amazon sublinhou que alguns serviços da Amazon Web Services (​AWS) tinham uma grande quantidade de mensagens acumuladas, que demorarão algumas horas a serem processadas.

A AWS hospeda aplicações e processos computacionais para empresas em todo o mundo, e a interrupção deixou trabalhadores de Londres a Tóquio sem acesso à Internet e impediu que outros realizassem tarefas quotidianas normais, como pagar uma ida ao cabeleireiro ou fazer a troca de um bilhete de avião.

Apesar de a gigante tecnológica ter dito, pelas 12h de segunda-feira, cerca de quatro horas depois do começo dos problemas, que estes estavam “mitigados”, muitos utilizadores continuaram sem conseguir usar alguns serviços, como a carteira digital Venmo e o Zoom.

Foi a maior interrupção no funcionamento da Internet desde Julho de 2024, quando dezenas de instituições e serviços de todo o mundo, como hospitais, aeroportos e bancos, ficaram paralisados ou fortemente perturbados devido a uma falha informática num sistema de cibersegurança da empresa CrowdStrike, que afectou a utilização do sistema operativo Windows, da Microsoft.

O problema teve origem num dos mais antigos e maiores centros de dados da Amazon, que fica no estado da Virgínia, nos EUA, e foi pelo menos a terceira vez em cinco anos que este centro de dados, conhecido como US-EAST-1, contribuiu para um grande colapso da rede. De acordo com documentos da AWS, o centro de dados US-EAST-1 costuma ser a região padrão para muitos dos serviços da AWS.

A Amazon não respondeu a um pedido de esclarecimento sobre o motivo pelo qual este data center em específico continua a ser impactado. Os problemas aconteceram por causa de um erro no Sistema de Nomes de Domínio, ou DNS, que impedia as aplicações de encontrar o endereço correcto para um banco de dados em nuvem utilizado para armazenar informações do utilizador e outros dados críticos.

Pouco depois das 15h na Virgínia (22h em Portugal continental), a Amazon informou que todos os serviços da AWS regressaram às operações normais. Alguns serviços, como o AWS Config, Redshift e Connect, continuaram com uma “acumulação de mensagens que serão processadas nas próximas horas”.

Ken Birman, professor de ciência da computação na Universidade Cornell, acredita que os engenheiros de software precisam de desenvolver uma melhor tolerância a falhas. Birman afirmou que há ferramentas que os engenheiros podem usar para se proteger em caso de problemas em qualquer um dos muitos data centers e que podem criar backups junto de outras empresas que forneceram a tecnologia em nuvem.

“Quando as pessoas cortam custos e usam atalhos para tentar colocar uma aplicação no ar, depois esquecem-se de que saltaram o último passo e não se protegem contra uma interrupção”, disse o docente à Reuters.

A AWS fornece capacidades de computação, armazenamento de dados e outros serviços digitais para empresas, governos e indivíduos. As interrupções nos servidores podem causar erros em sites e plataformas que dependem de infra-estrutura de nuvem da AWS, que compete com os serviços de nuvem do Google e da Microsoft.

Pelo menos mil empresas afectadas

Esta interrupção veio pôr a nu a grande dependência dos serviços e aplicações que usamos todos os dias de um pequeno número de empresas que fornecem serviços de nuvem, com uma falha a causar estragos em negócios e na vida quotidiana, disseram especialistas e académicos. “Esta interrupção destaca a dependência que temos de infra-estruturas relativamente frágeis”, disse Jake Moore, consultor global de segurança cibernética da empresa europeia ESET.

No Reino Unido, o Banco Lloyd, o Banco da Escócia e empresas de serviços de telecomunicações Vodafone e BT foram afectadas, de acordo com o site britânico da Down Detector, assim como o site da autoridade tributária, de pagamentos e alfandegária do Reino Unido, a HMRC.

“O principal motivo para este problema é que todas estas grandes empresas dependem de apenas um serviço”, apontou Nishanth Sastry, director de pesquisa do Departamento de Ciência da Computação da Universidade de Surrey.

A Ookla, dona do Down Detector, disse que pelo menos mil empresas foram afectadas pela interrupção e mais de quatro milhões de utilizadores deram conta de falhas nos serviços. “Para as grandes empresas, horas de inactividade na nuvem traduzem-se em milhões em perda de produtividade e receita”, referiu Ryan Griffin, especialista em internet na corretora de seguros McGill and Partners.

O incidente não abalou a Wall Street e as acções da Amazon subiram, inclusive, 1,6%. Mas aplicações como o Reddit, Roblox, Snapchat e Duolingo foram fortemente afectadas e o mesmo aconteceu com a startup de inteligência artificial Perplexity, a corretora de criptomoedas Coinbase e a aplicação de troca de mensagens Signal. Os próprios serviços da Amazon, incluindo o site de compras, a Prime Video e a assistente virtual Alexa, também foram afectados.

O Fortnite, propriedade da Epic Games, o Clash Royale e o Clash of Clans estão na lista de aplicações de jogo online que estiveram em baixo durante algumas horas. Nos Estados Unidos, a Lyft, rival da Uber, também ficou indisponível para milhares de utilizadores.



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