Europa e o cerco contra ciberataques – Euronews

Com a multiplicação dos ciberataques importaram-se conceitos como “ransomware” ou “phishing” para o léxico de vários países europeus. Por outro lado, em plena era digital, a espionagem industrial também está cada vez mais tecnológica.

Para proteger a Europa, a Comissão Europeia propôs a criação de Centros de Operações de Segurança, que servirão de “escudo de cibersegurança.” Paralelamente, o presidente francês sublinhou que os dados de empresas europeias devem permanecer em servidores europeus. Mas será possível?

Especialistas dizem que os planos europeus podem ser desacelerados pela falta de gigantes tecnológicos, deixando o velho continente à mercê da China ou dos EUA.

“Na Europa não temos grandes empresas como a Google, Amazon ou Facebook que nos permitem usar os fantásticos serviços da Internet. Neste momento estamos a recorrer a empresas americanas, mas no futuro vai mudar. A questão está em saber como é que se vai cooperar a nível europeu”, sublinhou, em entrevista à Euronews, Miguel De Bruycker, do Centro para a Cibersegurança da Bélgica.

A tecnologia avança, mas os legisladores nem sempre acompanham a velocidade da mudança. Os cidadãos também são chamados a contribuir, renunciando ao anonimato em nome de mais segurança.

A Comissão Europeia propôs criar uma Identidade Digital Europeia, mas passar da teoria à prática adivinha-se difícil.

“Deveríamos implementar muito mais camadas para a segurança baseada na identidade digital. Se eu quiser visitar um website de receitas para churrasco, não me importa se o dono for desconhecido. Mas se eu quiser deixar dados do meu cartão de crédito ou dados pessoais, prefiro um website onde o dono tem um certificado SSL de validação estendida”, lembrou Miguel De Bruycker.

Esta semana, debatem-se no Parlamento Europeu os ciberataques recentes a instituições europeias e infraestruturas críticas como o de que foi alvo a Agência Europeia do Medicamento.

A cibersegurança também é uma prioridade da presidência eslovena da União Europeia em linha como o empenho de Bruxelas desde há vários anos.

“A União Europeia tem desenvolvido uma política consistente, que vai sempre numa direção, ou seja, facilitar uma direção conjunta para conseguir prevenir e responder aos ciberataques. Como é que a União Europeia faz isso? Estabelecendo um sistema de coordenação de centros de segurança em matéria de ciberataques localizados em todos os Estados-membros e, elevando isso, ao mesmo tempo, a uma ação conjunta. Dentro de meses vamos aprovar, pela primeira vez, uma unidade conjunta para fazer face aos ciberataques”, ressalvou a eurodeputada espanhola Pilar del Castillo, do Grupo do Partido Popular Europeu.

Esta quinta-feira será votada uma resolução em matéria de cibersegurança no Parlamento Europeu.

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