Cibersegurança, um mercado mundial em crescimento e constante adaptação – Dom Total

“Em 5 anos, o orçamento de cibersegurança dos nossos membros foi multiplicado de 2 para 5 dependendo dos setores”, calcula Henri d’Agrain, membro de uma associação que reúne gestores de TI de grandes empresas e instituições francesas.

As notícias recentes apenas confirmam a necessidade de empresas de todos os portes se protegerem.

O diretor da Colonial Pipeline afirmou ao Wall Street Journal que no início de maio pagou um resgate de US$ 4,4 milhões aos hackers que paralisaram esta empresa que opera 8.800 quilômetros de oleodutos, o que levou muitos americanos a correrem para os postos de gasolina.

A americana Gartner, cujas projeções são uma referência, prevê um crescimento do mercado global de produtos e serviços de cibersegurança de 12,4% em 2021, para 150,4 bilhões de dólares, frente ao crescimento de 6,4% em 2020, enfraquecido pela Covid-19.

Antivírus, firewalls, centros de segurança de computador que monitoram remotamente as redes de empresas, criptografia, gerenciamento de identidade, vigilância de informações e ameaças, ferramentas de comunicação seguras, localizadores premium que procuram falhas no sistema, assessoria…

A cibersegurança envolve atividades cada vez mais variadas e numerosas, e o uso cada vez maior da nuvem (espaço de armazenamento) e objetos conectados, além da chegada do 5G, aumentam as necessidades.

Somado a isso está a preparação para a era “quântica”, sinônimo de computadores infinitamente mais poderosos.

“Nos últimos 30 anos, não deixamos de ver o surgimento de novas empresas, trazendo novas tecnologias, que rapidamente se tornaram banalizadas”, explica Loïc Guezo, secretário-geral da Clusif, associação francesa de especialistas em cibersegurança.

“Movimento cardíaco”

“Existe uma profusão permanente de conceitos”, como “um movimento cardíaco permanente”, explica.

Segundo os dados coletados pela PWC em seu relatório sobre as tendências digitais mundiais de 2021, a última década viu surgir uma série de “unicórnios” (start-up avaliadas em mais de 1 bilhão de dólares), dessas uma dezena somente nos últimos anos.

“Comecei a me interessar por segurança informática em 2001. Na época, geralmente tratava-se de alguns especialistas mal-humorados no corredor, falando sobre coisas muito técnicas que ninguém discutia. E então as coisas mudaram”, explica Gérôme Billois, especialista em segurança cibernética da empresa de consultoria Wavestone.

A mudança ocorreu em “2007/2008”, quando as empresas multiplicavam seus projetos de informatização e a introdução em rede perceberam suas novas vulnerabilidades, explica.

Mais tarde, “houve outra grande ruptura em 2011, 2012 e 2013, com os primeiros mega-ataques cibernéticos (Stuxnet, Sony Pictures, Wannacry …) que de uma só vez ilustraram o desafio da ameaça (cibernética). E estamos longe de conseguir parar”, acrescenta.

Na França, 25% das empresas foram vítimas de um ataque com ‘ransomware’ (um programa malicioso de sequestro de dados), em 2020, de acordo com Cesin, uma associação de funcionários franceses de segurança de TI.

Escassez mundial de especialistas

Um dos conceitos atuais é a “arquitetura de confiança zero”: acabou a era da proteção de “perímetro”, onde a rede de computadores era uma espécie de fortaleza, que proteger o acesso ao exterior bastava.

Bem-vindo a um mundo mais aberto, onde a segurança depende da análise permanente dos direitos de acesso dos usuários e terminais.

“Na verdade, o que limita o crescimento do mercado de cibersegurança hoje é a capacidade humana: o número de especialistas e pessoas treinadas”, afirma Gérôme Billois.

“Globalmente, 3,5 milhões de empregos ficarão vagos em 2021”, de acordo com dados da PWC.

“No setor que conheço, consultoria e serviço, somos obrigados a dizer não a algumas demandas” dos clientes, “para não atrasar cronogramas”, ressalta Billois.

Para a profissão, “o maior desafio é claramente atrair talentos, sejam eles jovens (…) ou profissionais em processo de reciclagem”.

Não é a Colonial Pipeline que vai dizer o contrário.

Em seu site, no dia 21 de maio, havia uma oferta de trabalho em tempo integral para um especialista em segurança cibernética, postada “há mais de 30 dias”, antes do ataque cibernético.

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