Vendas online crescem: Sonae passa de prejuízo a lucro de um milhão de euros no primeiro trimestre de 2021 – Expresso

A Sonae registou lucro de um milhão de euros no primeiro trimestre, contra prejuízos de 59 milhões de euros em igual período do ano passado, “ainda que impactado por restrições” devido à covid-19, divulgou esta quinta-feira o grupo.

Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Sonae adianta que, “apesar do contexto, o volume de negócios consolidado” subiu 5,8% para 1.641 milhões de euros, “impulsionado pelo desempenho da Sonae MC e da Worten, bem como pelos canais digitais dos diferentes negócios”.

As vendas ‘online’ cresceram 2,3 vezes face ao primeiro trimestre do ano passado, “comprovando, uma vez mais, as competências e propostas de valor digitais dos negócios”.

O resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) fixou-se nos 128 milhões de euros, em linha com o primeiro trimestre de 2020, “suportado pela melhoria do resultado líquido da NOS/Zopt e da ISRG, o que compensou a mais-valia registada” nos primeiros três meses do ano passado com a transação do Sierra Prime.

O EBITDA subjacente “seguiu a tendência do volume de negócios e aumentou 14,1% para 114 milhões de euros”, impulsionado pelo crescimento da Sonae MC e da Worten, “que mais do que compensou o impacto das restrições noutros negócios decorrentes da pandemia”, refere a Sonae.

No período em análise, o investimento da Sonae mais do que duplicou para 126 milhões de euros com aquisições e expansão orgânica, o que compara com 60 milhões de euros no primeiro trimestre de 2020.

“A Sonae concretizou a aquisição de uma participação adicional na Sonae Sierra, passando a deter 80% do seu capital, a Sonae IM investiu na tecnológica finlandesa Sellforte e os diversos negócios continuaram a investir nas suas propostas de valor, em particular nas suas estratégias digitais”, refere o grupo.

“Relativamente à gestão de portefólio, nos últimos 12 meses a Sonae reforçou a sua posição acionista na NOS (7,38%), na Salsa (50%) e mais recentemente na Sonae Sierra (10%), num investimento total de M&A [fusão e aquisição] de 317 milhões de euros (em que se incluem também investimentos da Sonae IM)”, adianta.

A dívida líquida consolidada da Sonae atingiu 1.397 milhões de euros no final de março, um aumento de 164 milhões de euros, “impulsionado pelas diversas aquisições realizadas nos últimos 12 meses – em particular pelo reforço das participações na NOS, na Sonae Sierra e na Salsa”.

O grupo liderado por Cláudia Azevedo sublinha que “continua a possuir uma sólida estrutura de capitais com uma posição de financiamento confortável (baixo custo da dívida de 1,1% e um perfil de maturidade médio de 3,7 anos)”.

Relativamente à Sonae IM, adianta que a subsidiária “continua a apresentar um forte historial de criação de valor, tendo assistido, no início de 2021, a uma terceira empresa do seu portefólio a atingir o estatuto de unicórnio — a Feedzai”.

Relativamente aos outros dois unicórnios, a Outsystems anunciou um aumento de capital, com uma avaliação subjacente de 9,5 mil milhões de dólares [cerca de 7,7 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual] e, já no segundo trimestre, a Sonae IM vendeu parte da sua participação na Arctic Wolf por um montante de 36,4 milhões de euros (encaixe bruto), implicando uma mais-valia de 12,3 milhões de euros”.

O volume de negócios da Sonae MC aumentou 6,6% no trimestre para 1,3 mil milhões de euros, com um crescimento LFL [‘like-for-like’, ou seja, vendas em lojas que operaram sob as mesmas condições no período em análise] de 3,6%, “essencialmente suportado pelo desempenho dos formatos Continente que registaram um crescimento das vendas LfL de 4%”

No que respeita à rede de lojas, “a Sonae MC mantém o objetivo de expandir o seu formato de proximidade, o Continente Bom Dia, com os investimentos a progredir de acordo com o planeado”.

No primeiro trimestre, foram abertas duas lojas adicionais deste formato, num total de nove novas lojas. O EBITDA subjacente da Sonae MC ascendeu a 110 milhões de euros.

A Sonae refere que, “apesar do contexto pandémico e das condicionantes associadas aos confinamentos, o mercado de eletrónica cresceu, tanto em Portugal como em Espanha, impulsionado sobretudo pelo canal ‘online'”.

Assim, o volume de negócios da Worten subiu 17,4% para 272 milhões de euros, “suportado por um sólido crescimento LFL de vendas de +29,3%” enquanto o negócio através do ‘online’ “continua a representar um peso de dois dígitos no volume de negócios total, crescendo 2,5 vezes face ao ano passado”.

No mercado português, a Worten registou “um desempenho robusto” no que respeita a vendas LFL, um aumento de 28,2%, “em resultado de um sólido crescimento do ‘offline’ e, ainda mais importante, do ‘online’. O EBITDA subjacente cresceu de 8,2 milhões de euros para 17,3 milhões de euros.

Os resultados da Sonae Sierra no primeiro trimestre, aponta, “continuaram a ser afetados pela pandemia covid-19 e consequentes confinamentos nas geografias onde opera”. O total de descontos de rendas concedidos no portefólio europeu ascendeu a 38%, “sendo Portugal o país mais atingido, com os descontos na ordem dos 47%”.

Nos últimos 12 meses, “os descontos totais em Portugal ascenderam a 64% das rendas, que compara com 28% nos restantes países europeus”, aponta a Sonae. O resultado líquido da Sonae Sierra fixou-se em três milhões de euros, refere.

Ja as vendas da Sonae Fashion recuram 21,7% para 61 milhões de euros, refletindo o impacto da pandemia, nomeadamente restrições à circulação e os confinamentos. “As vendas ‘online’ continuaram a registar um forte crescimento no trimestre, duplicando em termos homólogos”, adianta.

A Sonae FS registou um volume de negócios de quatro milhões de euros no trimestre e a Sonae IM “continua a ser um dos negócios menos impactados pela pandemia”, tendo registado um volume de negócios de 24 milhões de euros, menos dois milhões de euros em termos homólogos, “explicado principalmente pela menor atividade de produtos de terceiros, apesar de ter sido parcialmente compensado por um forte desempenho da área de cibersegurança, que continuou a registar um crescimento de dois dígitos”.

Quanto à rentabilidade, “verificaram-se melhorias relevantes nas empresas de cibersegurança, com o EBITDA subjacente a aumentar 1,6 milhões de euros” face ao primeiro trimestre de 2020.

A Sonae adianta que a ISRG está “com clara recuperação face aos trimestres passados” e que o seu desempenho “permitiu um contributo pelo método de equivalência patrimonial nos resultados da Sonae de 4,6 milhões de euros”.

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