O Papel do COO na reinvenção das empresas – Jornal Económico

As organizações estão a aproveitar a dinâmica de transformação iniciada durante o confinamento e a reforçar a resiliência que as tem mantido activas. Esta é uma oportunidade imensa e, simultaneamente, um risco considerável. Quem acertar terá recompensas enormes: uma evolução na produtividade, uma cultura organizacional actualizada, novas relações com novos clientes. São ganhos pelos quais vale a pena lutar. Quem falhar arrisca-se a ser deixado para trás pela concorrência e a tornar-se irrelevante no mercado.

O COO (Chief Operating Officer) tem um papel essencial a desempenhar aqui. A posição dele não visa apenas equipar a organização para o presente, passa também por prever as necessidades futuras. Como reinventar as cadeias de abastecimento para assegurar que não se repetem os mesmos congestionamentos? Como superar a complexidade que asfixiou algumas das respostas imediatas que era preciso dar à crise? Como reagir a perturbações futuras e mitigar a incerteza?

Do back-end ao front-end, há imensos processos físicos que agora possuem alicerces digitais. E a crise alargou o campo de oportunidades ao acelerar a adopção de serviços cloud. Mas os COO, CIO, CTO e equipas TI têm de trabalhar em conjunto, com uma visão unificada para operações reinventadas: uma estratégia tecnológica que sustente o seu modelo de negócio.

Mas quão mais resilientes podem ser as operações? Poderia haver cadeias de valor mais curtas e mais ágeis e um desenvolvimento de produtos mais rápido. A monitorização através de análise de dados, de IA (Inteligência Artificial) e da IoT (Internet of Things) seria automática – e mais eficiente. Colaboradores mais empenhados criariam melhores experiências para os clientes nos vários canais. Uma forma mais sustentável de fazer o negócio também seria uma prioridade.

O teletrabalho é apenas uma das alterações mais óbvias, mas consegue analisar o desempenho dos colaboradores em tempo real? E compreender que exigências na sua cadeia de fornecedores ou nos seus serviços precisam de uma resposta imediata? Consegue reduzir as tarefas manuais para que os colaboradores se possam focar em trabalho mais valioso? A consultora McKinsey avançou recentemente com a previsão de que a reinvenção no sector da prestação de cuidados de saúde poderia originar ganhos de produtividade de 400 mil milhões de dólares até 2025. Manter esta agilidade tem tudo para se tornar um imperativo comercial.

Mas como obtemos esses ganhos? Como acontece em qualquer crise, estamos perante uma nova realidade. Isto significa que precisamos de aferir como usamos os dados e a tecnologia digital. Precisaremos de criar novos conjuntos de dados e explorar e validar técnicas de modelação. Também vamos precisar de questionar se estamos a usar a cloud, as nossas apps ou a IA da forma mais inteligente possível. As empresas que acertarem na resposta vão ganhar vantagem. Os dados estão no centro de cada transformação digital. As organizações têm de rentabilizar os seus oceanos de dados para inovar e gerar novas oportunidades de negócio e de rendimento.

Todavia, sem um enquadramento sistemático, os dados são pouco mais do que uma amálgama de informação desconexa. O desafio é tentar compreendê-los: não é possível aproveitar o seu valor sem que, primeiro, se agilizem e integrem os dados por toda a organização e respectiva cadeia de valor. É essencial possuir alicerces flexíveis, ágeis e eficientes para que a ciência de dados e a IA produzam resultados. Chegar lá envolve uma jornada de transformação orientada pelos dados, que abrange diversas áreas, cada uma crucial para o sucesso da transformação.

Da nossa experiência, ao início a maioria das organizações debate-se com dificuldades, apesar de estar ciente de que os activos de informação possuem um valor intrínseco à espera de ser desbloqueado. A tarefa pode parecer exigente: identificar ligações, compreender como gerir a informação em todos os locais (on-premises, na cloud ou em ambas), proteger dados valiosos contra perda e adoptar as medidas de cibersegurança apropriadas, e aplicar a IA e a ciência de dados para obter informações úteis para o negócio.

Este é o tipo de transformação que pode ser obtida pelos COO que assumem a missão de reinventar as operações quotidianas. Dada a escala e velocidade da mudança no ano passado, muito precisa de acontecer agora em termos de integração, segurança e gestão. O foco nos dados é, na nossa opinião, aquilo que cria o potencial para uma transformação genuína.

A autora escreve de acordo com a antiga ortografia.

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