Novo trabalho será híbrido – Exame Informática

A forma como trabalhamos, onde trabalhamos e as tecnologias que usamos para estarmos ligados são temas que já fizeram correr muita tinta ao longo dos últimos doze meses. No entanto, muitos se questionam se o trabalho remoto irá manter-se quando a pandemia permitir que a vida retorne ao normal. A resposta não é unânime, mas quase todos concordam que o mercado de trabalho – nas suas diferentes vertentes – nunca mais será como dantes.

Grande parte das organizações, das maiores às mais pequenas, depressa perceberam que trabalhar a partir de casa foi, no início da pandemia, a única solução para manter os negócios em funcionamento. Agora, e para o futuro, tudo parece apontar que o modelo híbrido – alguns dias em trabalho remoto, part-time ou full-time -, será a escolha de grande parte dos setores mais ligados aos serviços, pelo menos enquanto os tempos são de incerteza. Segundo dados da consultora McKinsey, no cenário pós pandemia, mais de 20% da força de trabalho, maioritariamente em setores altamente qualificados como a banca, seguros, alguns serviços e IT, podem organizar-se trabalhando fora do escritório de forma igualmente efetiva. As organizações precisam, por isso, de reequacionar a própria função do posto de trabalho com modelos híbridos presencial-remoto, a sua localização e a estratégia de mobilidade que lhe deve estar associada. A progressiva virtualização dos instrumentos do posto de trabalho, recorrendo a VDI (Virtual Desktop Infrastructure) e VDA (Virtual Desktop Access) são também outra opção para as organizações.

No entanto, para que tudo funcione sem falhas, a tecnologia, em geral, e as redes de comunicações, em particular, serão ativos estratégicos essenciais para o sucesso dos negócios. “A percentagem e o sucesso de trabalhadores – públicos e privados – que conseguiram transitar para um modelo de teletrabalho em tempo recorde e, na maior parte dos casos, sem planeamento prévio, atesta da resiliência e flexibilidade das organizações, mas também das infraestruturas ICT que as suportam”, afirma Paulo Rego, Diretor de Produto e Pré-Venda da Altice Empresas.

Desde o primeiro confinamento, o aumento considerável de volume e a alteração de perfil, fez da gestão do tráfego um desafio constante para operadores de telecomunicações como a Altice, para que a qualidade de serviço fosse afetada. Desde logo, diz o responsável da operadora, “o volume de tráfego Internet teve um crescimento de 20% relativamente ao trimestre anterior e, adicionalmente, houve um incremento de largura de banda fixa nas empresas com acesso Internet, de modo a responder às suas novas necessidades de teletrabalho”. Em simultâneo, revela, cresceu a procura por serviços Cloud e soluções de acesso remoto a VPN e Equipamentos – Tablets, PC, etc. “Os data centers e em especial os serviços Cloud, pela sua escalabilidade e flexibilidade intrínsecas, deram também resposta integral à procura da capacidade digital de empresas e organizações privadas e públicas, no seu recurso exponenciado a soluções de acesso e trabalho remotos via aplicações empresariais”. Para aquele responsável, um serviço de infraestrutura robusto e fiável, quer sejam infraestruturas de comunicação, quer sejam de IT, é fundamental num cenário de trabalho remoto. Aliás, segundo a consultora IDC Portugal, o país conseguiu, em poucos meses, um salto tecnológico de uma década, impulsionado pela pandemia, que contribuiu também para o crescimento exponencial na adoção de ferramentas Cloud. Para os próximos anos, a consultora Deloitte prevê que o crescimento desta ferramenta supere os 30% a cada doze meses, e que se torne a solução dominante em todos os tipos de negócios. No entanto, não é a única necessidade das organizações que são, neste contexto, ‘empurradas’ para iniciarem ou acelerarem o seu processo de transformação digital, em especial ferramentas de colaboração e acesso remoto.  

Cloud no centro da transformação digital
Não sendo um modelo de negócio novo, as soluções Cloud são hoje analisadas por diferentes perspetivas e as organizações começam a entender melhor as suas vantagens e a colocar de lado o mito de que esta tecnologia serve apenas as necessidades das grandes empresas. “A pandemia trouxe incerteza adicional ao mercado, rápida necessidade de adaptação e explosão de modelos de acesso remoto a IT, a que as soluções Cloud respondem na perfeição, o que resulta no avanço da adesão a estes serviços”, refere Paulo Rego. As soluções existem e dão vantagens competitivas a quem as adota, mas o processo de decisão e a jornada de migração das organizações tem ainda passos a dar. A ilustrá-lo os números nacionais que revelam que a adoção de Cloud em Portugal (16%) ainda está abaixo da média europeia (18%), e é bastante inferior à Dinamarca, o país melhor classificado (50%), segundo dados incluídos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) apresentado pelo Governo.

Apesar disso, as expectativas de evolução no mercado nacional são grandes, nomeadamente, devido à vontade de incentivo demonstrada pelo Governo que publicou, há um ano, a Estratégia Cloud para a Administração Pública, que se materializa atualmente numa adoção de Cloud nos organismos do Estado na ordem dos 30%, segundo dados da Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública – eSPap. Mais recentemente, o investimento previsto no PRR 2020 para a Transição Digital das Empresas dá azo a novas expectativas em termos de adesão nacional às soluções Cloud a uma nova escala. Paulo Regoalerta, contudo, para a necessidade de as empresas deixarem de olhar a Cloud apenas como uma ferramenta de redução de custos e recorda que o modelo permite ir muito mais longe, desde a entrada em novos mercados, operacionalizando a tecnologia em tempos muito mais curtos, ao recurso a serviços Cloud associados à computação que se estendem à Inteligência Artificial, e permitindo, por exemplo, alterar e automatizar processos fabris de controlo de qualidade e de decisão mais assertiva assentes em forte analítica de dados. De facto, reforça, “quaisquer que sejam os requisitos das aplicações e soluções de negócio (workloads), o leque de ofertas Cloud atual fará reconsiderar qualquer organização que ainda não esteja a usar de forma significativa este tipo de serviço”. É de salientar que as empresas têm atualmente ao seu dispor um conjunto diversificado de soluções Cloud – privada, pública ou híbrida – que lhes permite uma gestão mais adequada das suas infraestruturas e aplicações. No entanto, no modelo híbrido, que combina infraestrutura no local, ou uma cloud privada, com uma cloud pública, as vantagens são ainda mais evidentes. As clouds híbridas permitem que os dados e as aplicações se movam entre os dois ambientes garantindo, não só, a óbvia redução de custos, mas também uma maior escalabilidade e flexibilidade. A Altice Empresas, por exemplo, disponibiliza modelos de Cloud Híbrida que, em conjunto com a sua oferta própria de Servidores Virtuais, permitem o acesso seamless a mega clouds públicas – Microsoft, Amazon, Google, CheckPoint e IBM – e a gestão simplificada numa mesma experiência de utilização. “Quando os impactos de negócio da utilização dos serviços cloud transformarem os modelos de negócio e os processos operacionais, poderá considerar-se cumprida a jornada Cloud nas organizações”, acrescenta o responsável da Altice Empresas.

Outro tema que ganhou uma relevância ainda maior com a pandemia e o aumento exponencial do trabalho remoto foi a cibersegurança. Nos primeiros meses de confinamento, os ataques informáticos a particulares e a empresas aumentaram de forma significativa. Segundo dados do Centro Nacional de Cibersegurança, os incidentes registados pelo CERT.PT aumentaram de 75 para 138 entre fevereiro e março de 2020, tendo continuado a crescer ao longo do primeiro confinamento. Os sistemas ficaram muito mais expostos, e muitos dos ataques devem-se ao desconhecimento e distração dos colaboradores das empresas. Este cenário trouxe novos desafios, “desde logo pela necessidade de gestão de um footprint da empresa mais amplo e poroso a ciberataques, para manter os padrões de segurança”, afirma Paulo Rego. Na Altice Empresas, a oferta de soluções tem acompanhado as necessidades das organizações, procurando dar resposta a estes desafios com ferramentas que vão das mais simples aos sistemas mais sofisticados de intelligence & resillience.

As soluções de transformação e transição digital estão aptas a ser implementadas em larga escala. “O Return on Investment (RoI) dessas soluções, as preocupações omnipresentes de segurança e de privacidade do colaborador, bem como a curva de aprendizagem na utilização destas ferramentas, são desafios centrais na gestão da mudança”, refere o responsável da Altice Empresas que recomenda que as organizações deleguem em especialistas a componente tecnológica do trabalho remoto, para centrar-se nos muitos outros desafios da nova cultura e práticas empresariais necessárias à gestão da mudança para um novo paradigma de trabalho e à sua adesão, sem receio, dos trabalhadores.

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