“Não devemos ser só nós a determinar se sites nazis se mantêm online”. CTO da gigante Cloudflare – Dinheiro Vivo

Vive em Lisboa desde 2019, onde lidera um dos muitos centros da empresa, é inglês e um dos engenheiros de software mais respeitados na área tecnológica. John Graham-Cumming, CTO da gigante da internet Cloudflare, fala-nos sobre os hábitos online dos portugueses em 2020, mas não só. “É importante que surjam leis para delimitar o que é aceitável online em cada país, porque não devem ser as empresas a defini-lo”, diz.

A Cloudflare abriu um centro técnico em Lisboa em 2019, levam já 100 colaboradores, incluindo o português e pai do ‘Sapo’, Celso Martinho, e continuam a contratar. O responsável analisa connosco alguns dos hábitos online dos portugueses (e não só) durante o ano de 2020 e os efeitos da pandemia.

Estima-se que a Cloudflare é usada por cerca de 12,3% dos sites e apps da internet, havendo outras estimativas de analistas que apontam que entre 6 e 10% do tráfego na internet passa pela Cloudflare – há rivais sem o mesmo tamanho como Imperva, Akamai, Amazon CloudFront, etc.

Sobre o gigante da internet, Graham-Cumming explica o que a empresa faz e porque no espaço de um ano cresceu 370% em valor de mercado em bolsa: “desempenhamos o papel de intermediário entre um site e o visitante, melhorando a performance e rapidez e filtrando pedidos suspeitos”.

Como pode um gigante da internet como a Cloudflare escolher que sites servir? Devem sites neonazis ou racistas ser removidos pelas empresas que fornecem serviços web? E como se decide que sites e apps servir?

“Além dos casos de sites como o 8Chan , também já tivemos um caso em que deixámos de fornecer serviço a um site chamado Daily Stormer, que era do estilo de extrema direita, nazi, e ainda existe, voltou depois online com outro tipo de serviço. Não é que tenhamos conseguido apagá-lo ao não lhes dar serviço. Daí que acho que não devemos ser só nós a determinar se este tipo de sites se mantêm online, talvez deva ser um tribunal ou uma infraestrutura política a determinar qual a melhor solução, mas algo deve acontecer nessa área e deve ser país a país, porque cada um tem os seus próprios padrões e deve determinar o que deve e não deve estar online”.

(Ouça e siga o nosso podcast Made in Tech com esta e outras entrevistas no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts)

Outros temas abordados:

– Como podem as empresas evitar ataques de hackers como o da SolarWinds que expôs várias autoridades norte-americanas a hackers russos.

– Como a Cloudflare lida com a concorrência e a inovação?

– Os novos serviços criados para utilizadores e empresas pela Cloudflare.

– A importância da estratégia de segurança Zero Trust e como pode ser mais eficaz do que as conhecidas VPN, tão usuais em tempos de trabalho remoto.

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