Apesar de corrida internacional, veículos autônomos ainda são uma realidade distante do Brasil – Época NEGÓCIOS

Na China, a empresa Baidu já testa táxis automatizados: chamados por aplicativo, sem motoristas. (Foto: (Photo by Hou Yu/China News Service via Getty Images))

Na China, a empresa Baidu já testa táxis automatizados: chamados por aplicativo, sem motoristas. (Foto: (Photo by Hou Yu/China News Service via Getty Images))

A Apple quer produzir um carro autônomo. A Tesla também. Assim como a GM, a Honda, o Baidu… Fruto dessa corrida, o mercado de automóveis sem motorista deve movimentar US$ 60 bilhões em 2030, segundo dados do Statista. Os desafios para que os veículos autônomos se tornem realidade nas ruas não são apenas de ordem tecnológica. Envolvem também questões éticas, de infraestrutura e de legislação — e o Brasil está atrás em todas.

É o que aponta o Índice de Prontidão para Veículos Autônomos 2020, da consultoria KPMG. O Brasil está em último lugar em relação aos 30 países avaliados no estudo. “O desenvolvimento de um carro autônomo envolve muitos bilhões de dólares em investimento”, diz Vivaldo José Breternitz, professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “Quando eles virarem uma realidade, vamos importá-los e, eventualmente, começar a fabricá-los aqui”.

Antes de 2025 não devemos ter uso comercial desses veículos no mundo, afirma Breternitz. Isso porque, apesar de já termos carros autônomos sendo testados, os (muitos) sensores e softwares necessários para garantir a segurança no trânsito fazem parte de um sistema bastante complexo. Um caso que chamou a atenção foi o atropelamento de uma mulher por um veículo de testes do Uber em 2018.

Além dos desafios de programar algoritmos que sejam capazes de tomar decisões em casos de emergência, como acidentes de trânsito, desenvolver carros autônomos também levanta preocupações de cibersegurança. “Se um hacker invadir a central eletrônica de um carro, há uma série de ações a temer, como atos terroristas”, diz o professor. 

No Brasil, ainda não está claro como ocorrerá a implementação da infraestrutura necessária para esses carros. A introdução dos serviços móveis de 5G será essencial para podermos ter veículos autônomos. Segundo previsão da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), o leilão do 5G deve acontecer no final do primeiro semestre deste ano.

O que ganhamos com a autonomia
Para além da exploração de novas fronteiras tecnológicas, viajar por aí de carro autônomo significa abrir portas para novos mercados e suprir necessidades antigas. “Nos EUA, por exemplo, há uma enorme carência de mão de obra de motoristas de caminhão”, afirma Breternitz. “Antes mesmo de termos tudo totalmente automatizado, poderemos ver um comboio com um motorista sendo seguindo por outros quatro ou cinco caminhões autônomos, o que já traria ganhos econômicos muito grandes”.

Além do setor logístico, cada vez mais demandado pelo e-commerce, a mobilidade de pessoas também ganharia novas possibilidades com esse tipo de veículo. Apesar de ter vendido sua divisão de carros autônomos no ano passado, apps como Uber e DiDi (controladora da 99) apostam nessa tecnologia para diminuir custos e maximizar lucros.

Os carros autônomos também são uma maneira de explorar o petróleo do século 21: os dados. Com carros conectados a redes 5G e entre si, será possível levantar as rotas mais utilizadas e elaborar mapas interativos com informações sobre trânsito e eventos. O uso para esses dados vão desde a venda de publicidade personalizada (como fazem as redes sociais, com nossos caminhos virtuais) até a construção de cidades inteligentes.

Falta de demanda para os carros autônomos não deve haver. Segundo estudo da Capgemini, 76% dos consumidores brasileiros gostariam de comprar um automóvel fabricado por empresas como Google ou Apple. 

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