Top de risco em Portugal: Covid, paragem nos negócios e cibersegurança – Dinheiro Vivo

É um verdadeiro três em um que reflete que os maiores riscos para a economia portuguesa neste ano estão intimamente ligados à covid. Assim se forma a lista de ameaças identificadas no décimo Allianz Risk Barometer 2021, cuujo top 3 é constituído pela própria pandemia mas também pelos seus efeitos no tecido económico, com potenciais cenários de interrupções e perdas que as empresas estão a enfrentar como consequência da covid e dos necessários confinamentos a ocupar lugar principal. Há ainda preocupação com ameaças cibernéticas, numa altura em que a dependência do digital – teletrabalho, telescola, etc. – está em máximos de sempre e a segurança não é vista como 1000% fiável.

“A interrupção de negócios (n.º 1 com 41% de respostas) e o surto pandémico (n.º 2 com 40%) são os maiores riscos para as empresas neste ano, com os incidentes cibernéticos (40%) a ocuparem o terceiro lugar”, elenca-se nas conclusões da pesquisa anual global sobre riscos comerciais da Allianz Global Corporate & Specialty (AGCS), que incorpora as opiniões de 2769 especialistas em 92 países, incluindo CEO, gestores de risco, corretores e especialistas em seguros.

Para Joachim Müller, CEO da AGCS, este trio de ameaças demonstra as crescentes vulnerabilidades de um mundo altamente globalizado e conectado. “A pandemia de coronavírus é um lembrete de que a gestão de riscos e da continuidade de negócios devem ser ainda mais desenvolvidos para ajudar as empresas a prepararem-se e a sobreviverem a eventos extremos”, diz. E aconselha a que haja preparação no sentido de preparar “cenários extremos mais frequentes, tais como uma indisponibilidade global de serviços em nuvem ou um ataque cibernético, desastres naturais impulsionados pela mudança climática ou até mesmo outro surto de outra doença”.

Até 2021, e ao longo dos 10 anos do Allianz Risk Barometer, nunca o risco havia ficado acima da 16ª posição, sendo um risco pandémico tomara as atuais proporções nas preocupações dos responsáveis, tendo agora subido de 16.º lugar para o 2.º e sendo hoje, para dezena e meia de países, apontado como o risco número um.

De acordo com o barómetro da Allianz, também os “desenvolvimentos do mercado” são apontados (4.º lugar, com 19%), refletindo o risco de aumento das taxas de insolvência pós-pandemia. “De acordo com a Euler Hermes (Global Trade Credit Insurnce Leader), a maior parte das insolvências acontecerá em 2021. O índice global de insolvência da seguradora de crédito comercial deve atingir um recorde de falências, chegando aos 35% até o final de 2021, com grandes aumentos esperados nos EUA, Brasil, China e principais países europeus. Além disso, a covid-19 desencadeará provavelmente um período de inovação e disrupção do mercado, acelerando a adoção de tecnologias, o desaparecimento de empresas estabelecidas e de setores tradicionais e dando origem a novos concorrentes.”

Questões macroeconómicas (8.º) e riscos políticos e de violência (n.º 10) são também elencados na lista, a par de mudanças na legislação e regulamentação (n.º 5), catástrofes naturais (n.º 6), incêndio/explosão (n.º 7) e mudanças climáticas (n.º 9), mas todas vêm após as preocupações pandémicas.

“Portugal acompanha a tendência geral, sendo o risco de pandemia o número 1 da lista (entrada direta na mesma uma vez que até este ano não constava sequer no top 10), apontado por 53% dos entrevistados do Allianz Risk Barometer. Seguem-se a interrupção de negócios (passou da terceira para a segunda posição) e os
incidentes cibernéticos (desceu do segundo lugar para o terceiro em 2021). O risco de mudanças de legislação fecha a lista, tendo descido do oitavo para o décimo lugar da mesma”, lê-se no relatório.

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