Teletrabalho e aceleração da cloud são algumas das tendências tecnológicas para 2021 – Security Magazine

Depois de 2020 – o ano que nos virou a vida do avesso e nos ensinou que tudo é possível – a Dashlane, especialista em gestão de passwords e proteccção de identidade digital, partilha as suas previsões para 2021.

O teletrabalho irá generalizar-se um pouco por todo o mundo, mesmo que não a tempo inteiro para todos. Como resultado, irá haver um aparecimento de novas ferramentas de TI, por parte dos gigantes da Web (Google, Microsoft, Salesforce, etc.), mas também por parte de empresas mais pequenas que terão a oportunidade de crescer rapidamente se a sua solução for bem concebida.

A transferência de dados na Cloud e aplicações SaaS (Software-as-a-Service) irá acelerar. É bastante claro que as empresas que lidaram melhor com a crise da Covid-19 foram aquelas que já tinham atingido a sua transformação digital. E essa lição foi agora aprendida por outros, por isso iremos testemunhar a aceleração do uso da Cloud e do método SaaS. Por outro lado, o método de hardware local – que consiste em manter os bens de TI fisicamente e localmente armazenados – irá ser consideravelmente reduzido.

De um ponto de vista de segurança, isto irá aumentar a área de exposição das empresas e, por sua vez, os riscos que correm. Esta tendência também tem um efeito perverso: uma maior dependência das empresas de serviços de Cloud. Empresas, essas, que irão rapidamente atingir dimensões impressionantes – se é que já não atingiram – o que faz com que, quando uma experienciar uma interrupção de serviço, milhares ou até milhões de negócios sejam impactados.

Não só iremos ver mais ataques, mas mais sofisticados, mais especializados, e mais ameaças rapidamente recuperáveis. Daí, por exemplo, o ressurgimento de ataques via ransomware.

Com a redução dos seus retornos, as empresas prontamente começaram a reduzir as suas chamadas despesas “não essenciais”, que infelizmente incluem os orçamentos alocados à cibersegurança. Isto irá ter repercussões importantes a vários níveis:

– Vamos assistir a uma concentração do mercado de segurança, pois alguns prestadores de serviços não irão sobreviver a esta redução de clientes; – As empresas irão estar menos protegidas, e algumas não irão sobreviver aos complexos e bem planeados ataques que irão sofrer.

As empresas irão descobrir que, quanto mais informação pessoal obtiverem sobre os seus clientes – sem ser absolutamente necessário para o serviço que providenciam – mais irão ser alvo de ataques. E, com a redução dos orçamentos alocados a cibersegurança, os ataques serão melhor sucedidos, o que irá representar um aumento no perigo para as empresas no caso de uma fuga de dados, seja do ponto de vista de degradação da imagem de marca, seja nas consequências legais e/ou financeiras. As empresas irão ter que encontrar o equilíbrio certo entre a informação pessoal que recolhem e o risco de exposição.

Outro impacto directo da Covid-19 e da consequente redução de despesas, será que as empresas classificarão a conformidade com as regulamentações do RGPD na Europa – e a CCAC nos EUA – como uma baixa prioridade. Com as próprias autoridades regulamentares a serem encerradas e impactadas devido à pandemia, estas tendem em focar-se nos grandes grupos económicos, o que é bem percetível para todos os outros. Isto são más notícias para a protecção de dados pessoais, especialmente quando associadas com o geral declínio do nível de segurança das empresas (como mencionado no ponto anterior).

Mesmo que, por vezes, sejam notícia, as consequências de possíveis comités sobre protecção de dados não serão colocadas no calendário de 2021. São longas batalhas legais e económicas que demorarão anos. Algumas podendo até criar o risco de arrastar a recuperação económica, o que não é de momento o objetivo dos agentes regulamentadores. E, mesmo que se implementem taxas locais – como é o caso da taxa GAFA em França – estas terão um impacto extremamente limitado quando comparado com as somas ganhas pelos gigantes da Internet em questão.

Lançadas pela Apple – e rapidamente seguidas por outros grandes grupos económicos da Internet – as mudanças que irão ser colocadas em prática na gestão de cookies irão maioritariamente penalizar os pequenos negócios. Segundo os seus promotores, estas são postas em prática para melhor proteger a privacidade dos utilizadores da Internet. Na realidade, esta mudança de método não irá prevenir que as grandes empresas “espiem” os seus utilizadores; estas irão simplesmente atingi-los através de outros métodos, cruzando os inúmeros dados recolhidos. As verdadeiras vítimas serão os pequenos negócios que recorrem aos cookies para melhor entender os seus clientes, e que não têm meios para usar outras tecnologias para o fazer. Isto irá aumentar a sua dependência de serviços de recolha de dados providenciados pelos gigantes tecnológicos.

Se a recuperação económica na China for confirmada, a Ásia irá ganhar um avanço significativo sobre a Europa e a América, e desequilibrar vários mercados, como as novas tecnologias e troca de bens. Isto irá causar várias repercussões aos longo dos próximos anos. Ao mesmo tempo, existe também uma mudança de paradigma: as novas gerações são defensoras de valores como a importância de proteger o planeta, e a mudança das fontes de energia. Isto irá ajudar a aumentar a atracção pelas novas tecnologias nas mentes dos investidores .

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