Renaulution. Eis que a revolução chegou à Renault – Revista Turbo

O plano Renaulution, apresentado por Luca de Meo, promete ser uma verdadeira revolução na Renault. Além da redução da capacidade de produção e do aumento da rentabilidade, destaque para o lançamento de 24 novos modelos até 2025 (no grupo), dos quais pelo menos 10 serão 100% elétricos.

Numa conferência de imprensa online que durou quase duas horas, Luca de Meo, CEO da Renault, expôs aos jornalistas o plano Renaulution, que define as linhas daquilo que é, na verdade, uma verdadeira revolução no Grupo Renault.

Quase duas horas que se traduzem num objetivo: aumentar a rentabilidade e projetar a Renault para o futuro. Por isso mesmo, Luca de Meo diz que a “bússola” da empresa deixará de estar orientada para o volume e para a quota de mercado, para privilegiar o lucro.

O novo CEO do Grupo Renault, Luca de Meo

O Plano Renaulution abrange a Renault, a Dacia e a Alpine, e cria a marca Mobilize que terá quatro modelos próprios para responder às necessidades da mobilidade partilhada. Além de aproveitar as sinergias da Aliança Renault/Nissan/Mitsubishi, o plano agora desenhado debruça-se, em detalhe, sobre cada uma das marcas.

Objectivo: rentabilidade

Em termos globais, o plano define que até 2023 a margem operacional deverá atingir os 3% (cerca de 3 mil milhões de euros), para dois anos depois (final de 2025), esse valor situar-se nos 5% (6 mil milhões de euros).

Para isso, além de uma redução da capacidade de produção de quatro milhões de unidades ano para 3,1 milhões, o investimento em investigação e desenvolvimento (R&D) passará a representar 8% do volume de negócios (contra 10% atualmente).

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Luca de Meo assegura que a engenharia terá um papel central na concretização destas metas, destacando a redução no tempo de lançamento de novos modelos para três anos (menos um ano do que agora), algo que só será possível em face da programada redução, de seis para três, do número de plataformas em que assentarão os futuros produtos da empresa. Enquanto a família de grupos propulsores passará das atuais oito, para quatro.

Vinte e quatro novidades a caminho

Além de possibilitar uma redução prevista dos custos de produção em 2,5 mil milhões de euros até 2023 (para chegar aos 3 mil milhões, dois anos mais tarde), o plano, em termos gerais, prevê, em conjunto nas quatro marcas, o lançamento, até ao final da primeira metade da década, de 24 novos modelos. Metade dos quais, destinados aos segmentos C e D, e, pelo menos uma dezena dos quais, serão 100% elétricos.

A este respeito, o CEO do Grupo Renault faz notar que, se até aqui a empresa centrou a sua atividade no segmento B (Clio e Captur, por exemplo), onde a rentabilidade é menor, doravante, a aposta desloca-se para os modelos de maior rentabilidade e, em especial, como refere, para o segmento C. Apontando como exemplo o lançamento, em 2022, do novo Renault Megane.

Elétricos… e hidrogénio

Reforçando a aposta numa área em que já é líder (mobilidade elétrica), a Renault anuncia novos modelos 100% elétricos para os segmentos C e D, bem como uma forte aposta na tecnologia do Hidrogénio, que determinará a sua entrada no promissor segmento dos veículos elétricos alimentados a pilha de combustível.

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Ainda no âmbito de apostas fortes para o futuro e entrada em novas áreas de negócio, Luca de Meo anuncia o reforço da aposta nos serviços digitais, de ciber-segurança e engenharia artificial. A qual tem um intuito: “Passaremos de uma empresa automóvel que utiliza a tecnologia, a uma empresa tecnológica que utiliza os automóveis, na qual pelo menos 20% das receitas até 2030 terão origem nos serviços de dados e do comércio de energia”.

A Renault e o regresso da “Nouvelle Vague”

Passando às marcas do grupo propriamente ditas e falando especificamente da marca Renault, o grupo automóvel francês revela que esta partirá do movimento “Nouvelle Vague”, que revolucionou o cinema francês nos anos 50 e 60 do século passado, para se reinventar, tendo como pilares os serviços energéticos, tecnológicos e a mobilidade.

Central será a ofensiva no segmento C (por razões de rentabilidade) e o reforço da oferta de veículos elétricos, com novos modelos em todos os segmentos.

O agora desvendado Renault 5 Prototype… elétrico

Em 2025, os veículos 100% elétricos poderão representar 30% das vendas, enquanto para os híbridos ficará reservada uma “fatia” de 35% no mix de vendas.

A marca vai também reforçar o empenho na economia circular, aumentando a atividade pioneira da fábrica de Flins que hoje se dedica à reciclagem de componentes e à transformação de modelos com motores de combustão em automóveis elétricos ou a gás.

Dacia ganha importância… com Lada

Sobre a Dacia, a nova liderança do Grupo Renault garante que a marca de origem romena vai ter um papel ainda mais importante no grupo, nomeadamente com a associação à Lada que, numa primeira fase, está centrada no aproveitamento do potencial do mercado russo. Para isso será apresentado um novo Lada Niva, que aproveita as tecnologias do Grupo.

O espreitar do futuro Lada Niva

Ainda no que à Dacia diz respeito, o aumento da eficácia e rentabilidade estará assegurado com a utilização de uma única plataforma (em vez das quatro atuais), que servirá para produzir 11 carroçarias (em vez das 18 de hoje).

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Até 2025 vão chegar sete novos modelos, dois dos quais para o segmento C, que será prioritário para a marca. “Ainda mais Dacia” – é desta forma que os responsáveis definem o futuro da empresa.

Alpine: a marca desportiva que quer ser mais desportiva

Relativamente à Alpine, a novidade é a pretensão anunciada de se tornar ainda mais desportiva… e 100% elétrica.

A Alpine vai tornar-se uma marca 100% elétrica

Sob o “chapéu” Alpine passarão a estar todos os serviços de engenharia da Renault Sport e da equipa de Formula 1. Aliás, já este ano, a presença do Grupo no escalão máximo do desporto motorizado passará a estar a cargo da Alpine F1 Team.

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Ao mesmo tempo que verá aumentado o números de concessionários, a Alpine quer expandir o seu portefólio de produtos, com o lançamento de um novo compacto desportivo (baseado na plataforma CMF-B EV), de um crossover desportivo para o segmento C e de um desportivo sucessor do A110 (este último desenvolvido em conjunto com a Lotus), todos com propulsão exclusivamente elétrica.

A Alpine acredita que poderá tornar-se rentável em 2025.

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