ONU pede reversão de tendências que mostram discórdia e desunião futuras – Notícias ao Minuto

Em declarações à imprensa na sede da ONU, depois de ter anunciado as dez prioridades para o ano de 2021 perante a Assembleia Geral, António Guterres destacou as mais urgentes e imediatas emergências entre todos os desafios exacerbados em 2020, o ano que classificou como o “mais difícil” da sua vida.

“Acabámos de passar pelo ano mais difícil da minha vida”, declarou hoje o secretário-geral da organização que conta com 193 Estados-membros, alertando que se verificaram tendências que têm de ser revertidas, sob pena de “estarmos a semear sementes perigosas de discórdia, desunião e divisão para o futuro”.

O aumento do fosso entre mais pobres e ricos, aumento da fome e da pobreza, as violações aos direitos humanos, principalmente das mulheres, a falta de educação para centenas de milhões de crianças e a desigualdade a “níveis obscenos” são algumas das tendências que põem em risco os avanços conseguidos nas últimas décadas, disse Guterres.

O antigo primeiro-ministro de Portugal lamentou as “perdas e sofrimentos imensuráveis” por trás dos números apresentados sobre a pandemia de covid-19: mais de 2,1 milhões de mortes, mais de 100 milhões de casos de infeção e cerca de 500 milhões de empregos perdidos em todo o mundo.

“Embora o mundo tenha feito um enorme progresso em relação à pobreza, fome, saúde, educação e igualdade de género nas últimas duas décadas, negligenciou bens públicos globais: planeta saudável, clima estável, cobertura universal de saúde, cibersegurança e governança eficaz”, disse António Guterres, que se recandidata à posição de secretário-geral, num segundo mandato de 2022 a 2026.

As vacinas contra a coivd-19, o apoio financeiro aos países mais pobres e a crise climática são as três “urgências globais que exigem atenção imediata”, declarou o chefe da ONU nesta conferência de imprensa.

A distribuição de vacinas em todo o mundo contra a doença provocada pelo novo coronavírus é uma das principais prioridades, defendeu António Guterres, apelando a “fechar a lacuna de financiamento e aumentar a produção de vacinas com licenças amplamente disponíveis e partilha de tecnologia”.

O secretário-geral da ONU disse que o “nacionalismo das vacinas é um falhanço económico e moral” e que apesar de todos os países terem “o direito e dever de proteger a sua própria população”, nenhum país pode “negligenciar o resto do mundo”.

“A última pesquisa da Câmara de Comércio Internacional mostra que sem apoio ao mundo em desenvolvimento, esta crise pode custar à economia global 9,2 biliões de dólares” (cerca de 7,6 biliões de euros), recordou António Guterres.

Essas perdas são 340 vezes superiores ao financiamento que falta para o mecanismo Acelerador ACT (27 mil milhões de dólares ou 22 mil milhões de euros).

Para lidar com esta urgência, o secretário-geral defendeu assegurar o fornecimento e justa distribuição das vacinas através da plataforma Covax, mais licenciamento para aumento do fabrico de vacinas e priorização dos trabalhadores de saúde e pessoas de risco.

António Guterres deverá receber a vacina contra a covid-19 hoje em Nova Iorque.

A solidariedade económica com países mais pobres foi a segunda urgência destacada pelo secretário-geral português, dizendo que “para uma recuperação rápida e completa, o mundo desenvolvido não deve apenas compartilhar vacinas de forma equitativa, também deve apoiar as economias em desenvolvimento, garantindo liquidez contínua” e alívio de dívidas soberanas.

Já para combater a urgência das alterações climáticas, António Guterres declarou que as conferências internacionais deste ano devem abordar as crises de extinção a aprovação de um quadro de biodiversidade global pós-2020, redução do desperdício energético e aumento da mudança para energias renováveis.

O chefe da ONU pretende também que se acabe com a sobrepesca, que se reduza drasticamente a poluição marítima e também que se reduza o desperdício de alimentos, numa transformação drástica da produção e consumo de alimentos.

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