Digital e cibersegurança são legados da pandemia, aponta PwC – Jornal do Comércio

Declínio das receitas, aceleração da digitização e mais investimento em cibersegurança serão alguns dos principais legados que a pandemia da Covid-19 deixará para as empresas. É o que aponta a pesquisa Digital Trust Insights 2020, realizada pela PwC.

O estudo entrevistou mais de 3,2 mil executivos e profissionais de TI de 44 países. Da América Latina, foram 272 profissionais, o equivalente a 8% dos participantes, sendo 109 (3,35%) deles brasileiros.

Um dos primeiros impactos provocados pela pandemia deve persistir até 2021. O resultado foi que 83% dos entrevistados brasileiros afirmaram que a receita da empresa em 2020 deverá diminuir (ante 79% global), situação que deve continuar em 2021 para 62% dos participantes nacionais (ante 64% global).

Uma tendência identificada pelo estudo é que a digitização acelerada dos processos deve ser maior no Brasil (48%) e na América Latina (50%) do que no mercado global (40%). A digitização é um conceito mais amplo que a digitalização (que envolve a transformação de dados físicos para o digital), pois engloba a mudança também dos processos e negócios.

“As empresas da região, possivelmente, estavam com um modelo de negócio digital mais represado do que no resto mundo, o que envolve investimentos em e-commerce, apps e novos modelos de negócios. Com a pandemia, tiveram que acelerar em meses o que aconteceria em cinco a seis anos”, destaca o sócio da PwC Brasil e líder da área de Cibersegurança e Proteção de Dados, Edgar D’Andrea.

Mais da metade (56%) dos entrevistados brasileiros também afirmaram que uma das mudanças causadas nas indústrias pelo impacto da Covid-19 deve ser a escolha de novos processos de definição de verbas para gastos ou investimentos em cibersegurança (ante 54% na América Latina e 44% no global).

Além disso, o envolvimento de questões de segurança cibernética e privacidade em todas as decisões ou planejamento de negócios também deve ser uma consequência dos cenários enfrentados ao longo da pandemia (49% Brasil, 53% América Latina, 50% global). Tanto que, segundo 57% dos entrevistados, os investimentos em cibersegurança para 2021 devem aumentar em relação ao montante dedicado em 2020 (enquanto 35% afirmaram que os valores devem ser menores).

D’Andrea comenta que os desafios impostos pela pandemia ajudaram a reforçar a importância dessa área para manter a normalidade das operações nas empresas com segurança e mostrar a capacidade de resiliência. Algo que, segundo ele, está diretamente ligado aos investimentos em segurança cibernética feitos pelas empresas ao longo destes anos.

“O futuro (e o agora) é cada vez mais digital, de modo que a segurança cibernética e a proteção de dados são fundamentais para a confiança e resiliência das empresas e de seus ecossistemas digitais. Isso significa que devem fazer parte do planejamento integrado das companhias”, diz.

Um dos motivos do impacto da Covid-19 na cibersegurança foi, relata D’Andrea, o deslocamento da força de trabalho dos escritórios e indústrias para a casa das pessoas. E não foi o tradicional home office de segunda ou sexta-feira, mas algo permanente.

“Isso exigiu uma mudança significativa ao exigir o acesso, nas residências, aos sistemas, aplicativos e outros recursos tecnológicos da empresa. Não foi algo simples de ser resolvido, já que a infraestrutura por trás de uma operação, geralmente, é bem complexa”, analisa.

As pessoas costumam pensar muito no home office de quem atua nos escritórios, mas o mesmo movimento precisou ser feito para profissionais que realizam tarefas em áreas de produção, como os que monitoram sensores de produção, robôs, usinas e planta fabris.

“Isso ampliou de forma significativa a possibilidade de atacantes invadirem as corporações, especialmente porque muitas pessoas estavam com uma infraestrutura de segurança ainda transitória”, destaca o analista. Segundo ele, dados mostram que o número de ataques quase dobrando no ano passado em relação aos meses equivalentes de 2019.

Quase todas as organizações (96%) afirmaram planejar mudanças em suas estratégias cibernéticas como resultado da Covid-19, com 50% planejando incluir a segurança cibernética e a privacidade em todas as decisões de negócios. E, claro, mais dinheiro possibilitou maior resistência: as organizações com receita inferior a US $1 bilhão foram menos resilientes ao impacto da Covid-19, em comparação com organizações maiores de US $1 bilhão.

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