“Castelos” e “muros” já não funcionam contra os ataques informáticos. O risco é global e é preciso mais inv… – SAPO Tek

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As empresas estão permanentemente sob ataque e a ideia de que não se questiona se as organizações vão sofrer um ataque, mas quando, esteve na base do debate no painel “Building trust under attack” do Building the future no Bulding the Future 2021, a conferência da Microsoft que o SAPO TEK tem estado a acompanhar.

António Gameiro Marques, diretor do Gabinete Nacional de Segurança, admitiu que estamos permanentemente sob ataque e que a pandemia da COVID-19 trouxe novos desafios, mas sublinhou que é importante não só a tecnologia, mas a literacia dos cidadãos, uma componente em que Portugal está ainda atrasado em relação à média da União Europeia, segundo os dados do Índice Europeu de Desenvolvimento da Sociedade da Informação, o DESI. “A melhor maneira de estar protegido é estar informado e por isso é muito importante a formação de toda a população nesta área”, defendeu

A prevalência dos ataques foi também reconhecida por Madalena Tomé. “Há milhões de tentativas de ataques todos os dias”, afirma a CEO da SIBS, e as empresas estão permanentemente sob ataques que são cada vez mais sofisticados e “on demand”, com a produtização de serviços de hacking que permitem lançar de forma fácil ataques à escala global. Ao mesmo tempo as empresas estão cada vez mais digitais e já não podem construir os seus castelos e manter-se protegidas porque estão a abrir cada vez mais o ecossistema em lógica de parcerias, o que traz mais abertura.

Mesmo assim, Madalena Tomé sublinha que Portugal é um dos países com maior nível de segurança, e que em termos de fraude os índices são um terço dos que se registam na média da União Europeia.

O teletrabalho é também um fator que faz com que a lógica do castelo já não se possa aplicar, porque os trabalhadores estão a trabalhar fora do perímetro de segurança habitual, uma preocupação partilhada também por Rogério Campos Henriques, CEO da Fidelidade, que lembra que os muros já não impedem os hackers de entrar na empresa.

E se as grandes empresas até têm ferramentas tecnológicas que podem conter estes ataques, e que estão ativas 24 horas e 7 dias por semana, as pequenas empresas são uma preocupação, até pelo baixo nível de percepção dos riscos que existe. Por isso a Fidelidade avançou com um seguro de proteção para cibertaques, que é também preventivo porque faz uma avaliação prévia do estado de segurança da organização.

O Gabinete Nacional de Segurança, através do Centro Nacional de Cibersegurança, tem avançado com uma série de ferramentas de capacitação das pessoas e empresas, com formação e com o desenvolvimento de modelos de auto avaliação da maturidade de cibersegurança, uma das áreas que António Gameiro Marques sublinha como muito importante.

O organismo está também a desenvolver um sistema de certificação da cibersegurança para produtos e serviços, enquadrado na iniciativa da União Europeia, e o diretor do GNS acredita que no futuro os cidadãos vão procurar esse selo para garantirem que a sua segurança está a ser devidamente acautelada.

A olhar para o futuro, António Gameiro Marques avisa que todas estas tendências de aumento de número e sofisticação dos ciberataques só têm tendência a acelera, e que vamos estar ainda mais expostos ao digital mesmo quando nos livrarmos desta pandemia.

“É necessário que Portugal, como membro da União Europeia, implemente políticas públicas que protejam o cidadão mas que fomentem o mercado para sermos competitivos no espaço europeu mas também lá fora”, alerta António Gameiro Marques.

A maior resiliência dos cidadãos e a “perda de ingenuidade que os faz cair em armadilhas” também foi salientada como essencial para o futuro, um ponto também sublinhado por Madalena Tomé, que adicionou a necessidade de capacitação de recursos em tecnologia nestas áreas, e a capacidade de os reter em Portugal. A CEO da SIBS diz ainda que gostava de ver mais atuação a nível global, com mecanismos que permitam uma atuação ágil e inspetiva porque o cibercrime é um fenómeno global e só pode ser combatido em cooperação.

Na mesma linha, Rogério Campos Henriques defende a necessidade de mais investimento nestas matérias e maior consciencialização do risco, avisando que “estamos habituados a muita segurança e tendemos a olhar para o risco como algo que não nos acontece”, o que não é verdade.

O SAPO TEK está a acompanhar o Building the Future e pode ver outras notícias da conferência aqui.

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