Mercados emergentes ganham força no cenário global de inovação – Época NEGÓCIOS

Tecnologia - Mulher (Foto: Metamorworks // Getty Images )

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Seis startups brasileiras (Creditas, Quinto Andar, 99, iFood, Nubank e PagSeguro Digital) estão na lista das 100 principais empresas de tecnologia de mercados emergentes elaborada pelo Boston Consulting Group (BCG), que traz também organizações de outras 13 nações (China, Índia, Indonésia, Israel, Quênia, Nigéria, Rússia, Cingapura, Coreia do Sul, África do Sul, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Vietnã).

De acordo com o relatório 2020 BCG Global Tech Challengers, embora nenhuma delas – por enquanto – tenha alcançado a escala global da chinesa Alibaba, da indiana Tata ou da sul-coreana Samsung, estão trazendo ao mercado produtos e serviços interessantes, muitas vezes de novas maneiras, crescendo rapidamente, reinventando seus setores, traçando seus próprios caminhos para o sucesso e chamando a atenção dos principais atores, no próprio setor de tecnologia ou em outros.

“Ainda existe uma grande concentração da atividade tecnológica em mercados maduros, mas, de fato, alguns países emergentes, sobretudo os asiáticos, vêm ganhando relevância”, comenta Otávio Dantas, Managing Director & Partner do BCG e um dos autores do documento.

O Brasil segue em ritmo razoável, mas insuficiente para ganhar terreno entre os países de destaque. Nos últimos cinco anos, foram criadas no país cerca de 400 empresas de TI, um avanço de 15% em relação ao período anterior. O ritmo de avanço é praticamente igual aos 14% registrados nos Estados Unidos, um mercado muito mais maduro. Por lá, esses 14% significaram a abertura de 13 mil empresas de TI nos últimos cinco anos.

Dantas explica que as companhias, chamadas por eles de Tech Challengers, foram selecionadas com base em seis critérios: ter a sede em um mercado emergente, ter foco associado a TI, estar entre as três maiores de seu segmento em sua região, ter valuation de pelo menos US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,5 bilhões), ser um negócio promissor e com potencial e ser grande ou ter um crescimento muito acelerado.

Perfil das Tec Challengers

Na lista das Tech Challengers do BCG estão empresas de hardware, software, computação em nuvem, jogos, serviços de TI, análises avançadas, streaming, aplicativos, inteligência artificial (IA), análises avançadas e cibersegurança, abrangendo B2C e B2B. Os setores em que atuam incluem educação, saúde, logística, serviços financeiros e energia.

Pelos dados do relatório da consultoria, essas companhias têm receita média de US$ 2 bilhões cada (cerca de R$ 10 bilhões) e crescem a uma taxa média anual de quase 70%, o que é seis vezes mais rápido do que o setor de tecnologia em mercados desenvolvidos. O valor de mercado médio de US$ 6,3 bilhões (R$ 32,1 bilhões) coloca a maioria delas bem além do status de unicórnio, sendo que as sediadas na China e no Sudeste Asiático têm as avaliações mais altas, em parte reflexo de seus grandes mercados locais ou regionais.

Mais um ponto observado no estudo foi que muitas usam seus recursos para resolver problemas específicos de suas localidades e, ao fazerem isso, frequentemente adquirem um nível de sofisticação superior ao de seus peers em mercados mais maduros. Também foi identificado que jovens Tech Challengers buscam diversos caminhos para crescimento e expansão, incluindo apoio governamental, fundos de capital de risco corporativo, parcerias, fusões e aquisições.

“Os players desse mercado tendem a abraçar os ecossistemas com mais frequência e muito antes do que empresas de mercados desenvolvidos. Embora seja importante, ao contrário do que se pensa, o dinheiro está longe de ser o único meio de troca. Conhecimento, dados, habilidades, experiência, contatos e acesso ao mercado são outras moedas que os unem”, diz o documento.

No caso das brasileiras, Dantas aponta que as seis empresas selecionadas têm perfis bastante diferentes, mas, no geral, apresentam um ponto interessante em comum, a originalidade. “Ficou claro para nós que elas não adotam muito o conceito de pegar uma ideia de fora e replicar no país. Na verdade, elas surgiram com o objetivo de resolver o desafio enfrentado no dia a dia ou pelo cidadão ou outras empresas, e normalmente são desafios específicos do Brasil.”

Mais da metade das Tec Challengers já expandiram além de seu mercado doméstico e 40% estão ativas em mercados desenvolvidos. Porém, as brasileiras ainda atuam mais localmente. “Nascer em um mercado pujante como o brasileiro traz uma vantagem e, ao mesmo tempo, pode ser uma limitação. Mas é preciso pensar grande, globalmente, e utilizar o mercado brasileiro como plataforma de crescimento, mas não se contentar com ele apenas. Tem um mundo de oportunidades lá fora”, complementa o diretor do BCG.

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