Cibersegurança: Ataque informático a hospital mata mulher internada na Alemanha – Luxemburger Wort – Contacto

A UE quer proteger-se dos criminosos das redes. As ameaças são cada vez mais sofisticadas, com sistemas de saúde e de energia a serem sequestrados por piratas informáticos.

Mundo
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Há 30 minutos

Telma MIGUEL

Telma MIGUEL

A UE quer proteger-se dos criminosos das redes. As ameaças são cada vez mais sofisticadas, com sistemas de saúde e de energia a serem sequestrados por piratas informáticos.

Soube-se esta semana que várias agências federais dos Estados Unidos foram alvo de um ataque persistente e em massa de piratas informáticos desde março deste ano. Conhecido agora, o alcance do ataque cibernético sem precedentes a agências de segurança vitais nos EUA ainda não foi avaliado, nem se sabe exatamente a informação que foi extraída dos servidores. A Microsoft, que foi também alvo do mesmo vírus, num comunicado, salientou que se trata de um “ataque notável pela sua amplitude, sofisticação e impacto”. 

Morte em hospital de Dusseldorf

Durante a pandemia, em que grande parte das operações e do trabalho se tornou online, os ataques de criminosos informáticos aumentaram também exponencialmente e não só nos EUA. E as consequências no mundo físico em que habitamos estão a revelar-se cada vez mais assustadoras. 


O Governo dos EUA acusou hoje dois piratas informáticos chineses de roubar centenas de milhões de dólares em segredos comerciais de empresas que estão a trabalhar numa vacina contra a covid-19.


No passado mês de setembro foi registada a primeira vítima mortal de um ataque cibernético, quando o sistema informático do Hospital Universitário de Dusseldorf foi atacado por ransomware – um sistema que bloqueia os computadores até ser pago um resgate. A mulher em causa não pôde receber os cuidados urgentes de que necessitava e acabaria por morrer. Em todo o mundo, os hospitais e clínicas são cada vez mais objeto de ransomware, porque em casos de vida e de morte é mais provável que as vítimas paguem antes de fazerem perguntas.

E na semana passada, a EMA, a Agência Europeia do Medicamento que tinha a decorrer o processo de aprovação das vacinas contra a covid-19, foi igualmente vítima de pirataria informática. Recentemente, a Interpol (entidade que coordena as polícias criminais no mundo) emitiu um comunicado para os países se preparem para ataques durante as campanhas de vacinação.

“O ciberespaço é como o mundo físico. Oferece grandes oportunidades política e economicamente, mas é também onde entidades estatais e não estatais violam a lei, usando a tecnologia para avançar a sua agenda política e cometer crimes”, disse Josep Borell, o  Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança ao apresentar a nova Estratégia da EU para a Cibersegurança que foi proposta ao Conselho Europeu e ao Parlamento Europeu. Apresentada no final da semana passada, a proposta se aprovada será vertida para as leis nacionais lá para 2023.


Russian President Vladimir Putin addresses members of the Federation Council at the Kremlin in Moscow on September 23, 2020. (Photo by Mikhail METZEL / SPUTNIK / AFP)

O Presidente russo, Vladimir Putin, propôs hoje aos Estados Unidos que aceitem um pacto de “não ingerência” e colaborem em matéria de tecnologias de informação para promover um pacto global de não agressão na área digital.


A Europa é um alvo por excelência

“A ameaça é real e torna-se maior a cada dia que passa”, alertou Borell fazendo referência à vulnerabilidade da bolha cibernética em que vivemos. Só em 2019 houve 415 incidentes envolvendo o setor financeiro e energético. E sabe-se que em 2020 as ameaças cresceram. “Com esta estratégia queremos proteger melhor os governos, pessoas e empresas de ciberataques”, disse o diplomata, referindo o enfoque na proteção contra ataques externos, com 22 propostas concretas.

Em julho foi apresentada a nova Estratégia Europeia de Segurança, recordou o comissário europeu Margaritis Schinas, chamando-lhe o edifício central. A Estratégia da EU para a Cibersegurança é uma das salas principais, tal como a Estratégia Contraterrorista recentemente apresentada. O vice-presidente, responsável pela Promoção do Modo de Vida Europeu, Margaritis Schinas, salientou que a proposta da Comissão representa “uma estratégia de cibersegurança robusta que cobre todos os elementos, desde os esforços externos e diplomáticos, até aos serviços digitais”.

“A Europa é um alvo por excelência”, disse Schinas, referindo que todos os grandes blocos económicos estão a ser alvo de ataques cibernéticos visando os  seus serviços de segurança, governamentais, financeiros, mas igualmente entidades privadas. “Sabemos isto e estamos a preparar-nos para lutar”, disse.

A estratégia apresentada pela Comissão é uma atualização do texto de 2008, e de toda a legislação europeia sobre a matéria, que precisa de “reforço” para acompanhar as novas ameaças e “fornece segurança para o sistema como um todo”.


“Qualquer aplicação instalada no telemóvel representa um risco de segurança”, alertam os especialistas.


A cibersegurança foi apresentada como uma das principais prioridades da Comissão e uma necessidade no momento em que se desenvolve a estratégia da Europa digital e conectada. No texto da Comissão, refere-se que “o aumento dos ciberataques durante a crise do coronavírus demonstrou a importância de proteger os hospitais, os centros de investigação e outras infraestruturas. Para preparar a economia e a sociedade europeias para o futuro, são necessárias medidas enérgicas neste domínio”.

Seis centros que serão um “ciberescudo”

Da proposta da Comissão faz parte ainda a criação de seis centros de segurança que irão recorrer à Inteligência Artificial e servirão para “proteger a bolha numérica em que operamos.  E graças a este sistema seremos capazes de detetar em poucas horas um sinal fraco o que significa que está a acontecer qualquer coisa”, quando muitas vezes podem ser necessários entre 100 a 200 dias para detetar um assalto aos sistemas informáticos. Demasiado tarde para acionar medidas de prevenção. E foi isso o que aconteceu no ataque aos EUA.

O comissário com a responsabilidade do Mercado Interno, Thierry Breton, referiu que no mundo numérico “há também uma cartografia de vírus conhecidos. Há uma biblioteca de vírus”, o que permite agir. “É preciso ter capacidade de reação. Podemos identificar os indivíduos e é possível dar-lhes sanções como no mundo físico”.

Neste momento estão a ser alvo de sanções por parte da União Europeia oito indivíduos e 4 entidades, com proveniência da Rússia, China e Coreia do Norte.

Breton disse ainda que embora os Estados-membros já tenham as suas “ciberbrigadas” para lutar contra os ataques, esta nova estratégia permitirá desenvolver as suas capacidades e ter “melhor coordenação”.

“Não nos podemos esquecer que isto é uma ameaça global”, salientou Borell, avançando ainda que também nesta matéria a votação no Conselho Europeu possa ser feita por maioria qualificada, para permitir mais rapidez de resposta.

Segundo o texto da proposta da Comissão Europeia, “Os hospitais, as redes energéticas, os caminhos de ferro, mas também os centros de dados, as administrações públicas, os laboratórios de investigação e os locais de fabrico de medicamentos e dispositivos médicos essenciais, bem como outras infraestruturas e serviços críticos, devem permanecer invioláveis, num contexto de ameaças cada vez mais acelerado e complexo”.

A Comissão pede ainda aos Estados-membros que utilizem os fundos do Mecanismo de Recuperação e Resiliência para os seus projetos nacionais de cibersegurança.

Outra das áreas que deverão ser especialmente protegidas, segundo o texto da Comissão, são as redes 5G, uma tecnologia que o executivo europeu considera vital para se assegurar a transição ecológica e digital.

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